• 9 de março de 2026

‘Penduricalhos’ do Tribunal de Justiça do Pará são suspensos após decisão do Supremo

Decisão foi tomada pelo presidente do TJPA, desembargador Roberto Gonçalves de Moura. (Reprodução/TJPA)

O Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA) vai suspender uma série de benefícios pagos a magistrados da Corte. A medida foi anunciada pelo presidente do tribunal, o desembargador Roberto Gonçalves de Moura, e ocorre após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que restringem os pagamentos conhecidos como “penduricalhos” no serviço público.

De acordo com o tribunal, sete vantagens previstas em leis estaduais serão interrompidas em até 60 dias por não terem previsão em legislação nacional. Entre elas estão: auxílio-alimentação, auxílio-saúde para magistrados ativos e aposentados, indenizações relacionadas a férias e licença-prêmio, além de pagamentos por acúmulo de processos e diferenças de entrância ou instância.

Outra verba, referente à conversão de dez dias de férias em pagamento em dinheiro, deverá ser encerrada no prazo de 45 dias. Já valores retroativos relacionados ao Adicional de Tempo de Serviço (ATS) foram suspensos imediatamente.

Segundo o tribunal, os benefícios ainda serão pagos na folha referente a fevereiro, mas deixarão de aparecer nos contracheques a partir de abril de 2026. O TJPA informou ainda que a suspensão das vantagens é provisória e deve ser revista conforme o andamento das decisões judiciais.

O que são os ‘penduricalhos’?

Os chamados “penduricalhos” são adicionais e benefícios pagos a servidores públicos que acabam elevando a remuneração além do salário-base. Em geral, esses valores são classificados como verbas indenizatórias, ou seja, pagamentos destinados a compensar despesas relacionadas ao exercício da função. Por esse motivo, muitas dessas verbas ficam fora do cálculo do teto constitucional.

A Constituição estabelece que a remuneração de agentes públicos não pode ultrapassar o subsídio dos ministros do STF, com subtetos nos estados e municípios. Ainda assim, parte dessas verbas indenizatórias acaba sendo usada para complementar salários, o que tem gerado questionamentos sobre a legalidade e a finalidade desses pagamentos.

O debate ganhou força após decisões recentes do STF. O ministro Flávio Dino suspendeu o pagamento de penduricalhos nos três Poderes e determinou que apenas indenizações previstas em lei podem ficar fora do teto. Já o ministro Gilmar Mendes suspendeu benefícios extrateto criados por leis estaduais para integrantes do Judiciário e do Ministério Público.

Relacionadas

Lula sanciona lei que reforça proteção a vítimas de estupro

Lula sanciona lei que reforça proteção a vítimas de…

No Dia Internacional da Mulher, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou, no domingo (8), uma lei que altera…
Justiça manda suspender perfis do ex-deputado Wladimir Costa nas redes sociais após descumprimento de decisão judicial

Justiça manda suspender perfis do ex-deputado Wladimir Costa nas…

A Justiça do Pará determinou a suspensão do perfil do ex-deputado federal Wladimir Costa no Instagram. A decisão foi tomada pelo…
Tráfego é liberado na Avenida Júlio César após risco de desabamento em passarela

Tráfego é liberado na Avenida Júlio César após risco…

O tráfego de veículos na avenida Júlio César, nas proximidades do canal São Joaquim e do Parque São Joaquim, foi liberado…