• 9 de março de 2026

Mês da mulher: taxa de desemprego é maior entre as mulheres, em comparação aos homens

Reprodução: Wilson Dias/Agência Brasil

Apesar do aumento da participação feminina no mercado de trabalho, as mulheres continuam enfrentando mais dificuldades para conseguir emprego e alcançar salários equivalentes aos dos homens no Pará. Em Belém, capital onde o setor de serviços concentra grande parte das vagas, o cenário combina avanços graduais com desigualdades persistentes.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, mostram que a diferença começa já na porta de entrada do mercado. No Brasil, a taxa de desemprego entre mulheres chegou a 8,7%, enquanto entre homens ficou em 5,7%, indicando uma desocupação significativamente maior para elas.

A desigualdade também aparece na renda. Em média, as trabalhadoras recebem cerca de 28% menos que os homens no país. Os valores aproximados são de R$ 2.697 mensais contra R$ 3.459.

Embora os números sejam nacionais, o Dieese aponta que o quadro tende a ser ainda mais sensível em estados da região Norte, como o Pará, onde o mercado formal é menor e a informalidade ainda absorve grande parcela da mão de obra. A taxa de informalidade no estado do Pará, onde Belém concentra grande parte da força de trabalho, é uma das maiores do Brasil, situando-se próximo a 56,5% a 58,5% da população ocupada no início de 2026.

Dados recentes sobre a situação laboral na região indicam que o estado tem figurado frequentemente entre os maiores índices de informalidade do país, atingindo 56,7% no final de 2025. E Belém reflete essa realidade estadual, com uma grande proporção de trabalhadores sem carteira assinada. Na capital paraense, a presença feminina é especialmente forte em atividades como comércio, serviços domésticos, educação, saúde e atendimento. 

Muitos desses setores concentram empregos com salários mais baixos e maior rotatividade, o que ajuda a explicar por que o avanço da empregabilidade feminina nem sempre se traduz em estabilidade.

Outro fator que pesa nas estatísticas é a escolaridade. Entre brasileiros com ensino médio incompleto, por exemplo, a taxa de desemprego pode chegar a 11,4%, quase o triplo da observada entre pessoas com ensino superior completo, que gira em torno de 3,9%. No Pará, onde ainda há desigualdades educacionais entre regiões urbanas e interiores, esse recorte tende a aprofundar as dificuldades para parte das trabalhadoras.

Questões raciais também ampliam o desafio. Entre brasileiros, as taxas de desemprego costumam ser maiores para pessoas pretas e pardas, grupos que formam a maior parte da população paraense.

Na prática, isso significa que muitas mulheres no estado enfrentam uma dupla barreira: gênero e raça. Mesmo diante desse cenário, a participação feminina no mercado de trabalho tem crescido ao longo dos anos. Mais mulheres ocupam hoje postos formais e ampliam presença em áreas de gestão, ensino superior e empreendedorismo.

Ainda assim, o avanço ocorre em ritmo desigual. Em Belém e em outras cidades do Pará, as estatísticas mostram que o mercado de trabalho está se abrindo mais para as mulheres, mas ainda não nas mesmas condições.

O resultado é um retrato contraditório: nunca houve tantas mulheres trabalhando, mas os números indicam que o caminho até a igualdade plena ainda é longo. No mercado de trabalho paraense, a presença feminina cresce, mas a disputa por espaço e reconhecimento continua sendo maior para elas.

Relacionadas

Trump deixa jantar na Casa Branca após tiros serem disparados no local; presidente está seguro

Trump deixa jantar na Casa Branca após tiros serem…

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi retirado às pressas do Jantar dos Correspondentes da Casa Branca, realizado no Washington Hilton,…
Jogando no Baenão pela primeira vez na Série A, Remo perde para o Cruzeiro

Jogando no Baenão pela primeira vez na Série A,…

O Cruzeiro venceu o Remo por 1 a 0 na noite deste sábado (25), no Estádio Baenão, em Belém, em partida…
Mulher é resgatada após ser mantida em cárcere privado pelo ex-companheiro em Paragominas

Mulher é resgatada após ser mantida em cárcere privado…

Uma mulher foi resgatada após ser mantida em cárcere privado pelo ex-companheiro, no município de Paragominas, no sudeste do Pará. Segundo…