• 14 de maio de 2026

No Pará, ferramenta da Justiça do Trabalho identifica comando oculto e multa advogadas em R$ 84 mil

Reprodução: TRT-8

Uma decisão da 3ª Vara do Trabalho de Parauapebas revelou uma tentativa de manipulação de inteligência artificial em um processo judicial analisado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. O caso ocorreu no processo nº 0001062-55.2025.5.08.0130 e resultou na aplicação de multa de R$ 84,2 mil contra duas advogadas envolvidas na ação.

Segundo a decisão, assinada pelo juiz do trabalho substituto Luis Carlos de Araujo Santos Júnior, o sistema de inteligência artificial Galileu identificou comandos ocultos inseridos em uma petição inicial. O objetivo seria influenciar o comportamento da ferramenta para que realizasse apenas uma leitura superficial do documento e deixasse de questionar as provas apresentadas.

A técnica utilizada é conhecida como “prompt injection”, método empregado para tentar manipular sistemas de inteligência artificial por meio de instruções escondidas em textos ou comandos.

De acordo com a decisão, ao detectar a tentativa de interferência, o sistema Galileu emitiu um alerta de segurança e bloqueou o processamento do conteúdo suspeito. O magistrado ressaltou, no entanto, que a sentença não foi tomada exclusivamente com base no aviso emitido pela ferramenta.

Na decisão, o juiz afirmou que houve verificação humana do conteúdo identificado, em conformidade com os princípios de supervisão humana no uso de inteligência artificial no Poder Judiciário.

As advogadas Alcina Medeiros e Luanna Alves se manifestaram por meio de nota. Elas afirmaram que não concordam com a decisão judicial e negaram qualquer tentativa de manipular o sistema de IA. Segundo a defesa, o comando teria sido utilizado para “proteger o cliente da própria IA”. As duas informaram que irão recorrer da decisão.

O sistema Galileu é uma ferramenta de inteligência artificial generativa desenvolvida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região em parceria com o Supremo Tribunal Federal para auxiliar magistrados e servidores da Justiça do Trabalho na elaboração de minutas de sentenças. Em maio de 2025, a tecnologia foi adotada nacionalmente pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho.

A presidente do TRT-8, Sulamir Palmeira Monassa de Almeida, destacou a importância do uso responsável das ferramentas oficiais de inteligência artificial no Judiciário e ressaltou a atuação dos magistrados da 8ª Região no uso da tecnologia.

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