• 26 de maio de 2026

Burger King concreta calçada histórica de pedra de lioz em Belém; material integra monumentos portugueses

A calçada de pedra de lioz, uma rocha extremamente rara presente na Avenida Nazaré foi concretada durante uma obra realizada em uma unidade da rede de fast food Burger King, em Belém.

Segundo Michel Pinho, que fez o primeiro registro, a intervenção atingiu uma área considerada parte do patrimônio urbano da capital paraense. De acordo com ele, o local possui pedras de lioz e estruturas históricas protegidas pelo patrimônio estadual.

“Desde o final do século XIX, a Avenida Nazaré possui um traçado diferente porque foi planejada para interiorizar a cidade, não apenas em relação à Basílica, mas também ao Mercado de São Brás. Esse processo de urbanização foi marcado não só pela implantação dos paralelepípedos, mas também pelas calçadas históricas”, afirmou.

O historiador explicou que as calçadas possuem proteção patrimonial por conta dos materiais utilizados em sua construção.

“Essas calçadas são tombadas pelo Departamento de Patrimônio Histórico do Estado, pois são feitas de cantaria e de pedras de lioz, consideradas especiais”, declarou.

O lioz é um calcário fossilífero extraído em Portugal, principalmente na região de Sintra e Lisboa. A rocha foi amplamente utilizada durante o período da expansão marítima portuguesa e passou a simbolizar o poder da Coroa portuguesa. Monumentos históricos ligados à Era dos Descobrimentos foram construídos com esse material, incluindo o túmulo de Vasco da Gama, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.

Durante o período colonial, blocos de lioz chegaram ao Brasil nos navios portugueses, muitas vezes utilizados como lastro das embarcações. A pedra passou então a integrar construções, monumentos, igrejas, fontes e calçamentos em cidades históricas brasileiras.

Em Belém, o material está presente em diferentes áreas históricas da cidade, incluindo trechos do Mercado Bolonha e antigas calçadas da região central. Em Manaus, o lioz também pode ser encontrado em áreas do Centro Histórico e nas escadarias do Teatro Amazonas.

Michel Pinho afirmou ainda que parte da estrutura da Avenida Nazaré teria sido coberta por concreto e que pedras retiradas do local foram descartadas.

“Olha o que essa lanchonete fez: ela concretou, isso mesmo, concretou, a calçada da Avenida Nazaré, que é um patrimônio histórico e representa parte do processo de urbanização da cidade. Além disso, retirou as pedras de lioz e as colocou no lixo. É exatamente isso que vocês estão vendo”, disse.

Após tomar conhecimento da situação, o professor informou que acionou o órgão responsável pela preservação patrimonial.

“Diante da situação, entrei em contato com o Departamento de Patrimônio Histórico do Estado. O órgão informou que a obra foi notificada e que os responsáveis têm sete dias para recolocar as pedras e recompor a estrutura original da calçada”, afirmou.

A Avenida Nazaré é uma das vias mais conhecidas de Belém e concentra imóveis históricos, além de integrar o trajeto de eventos religiosos e culturais da capital paraense.

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