• 10 de janeiro de 2026

Trump diz ao NYT que seu poder global só é limitado por sua ‘própria moralidade’

Reprodução / O Globo / Doug Mills/The New York

Em entrevista exclusiva ao New York Times na última quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que seu poder como comandante-em-chefe é limitado apenas por sua “própria moralidade”, ignorando o direito internacional e outros mecanismos de controle sobre sua capacidade de usar a força militar para atacar, invadir ou coagir nações ao redor do mundo.

Questionado sobre a existência de algum limite para seus poderes globais, Trump disse:

— Sim, há uma coisa. Minha própria moralidade. Minha própria mente. É a única coisa que pode me impedir — declarou o presidente. — Não preciso do direito internacional. Não quero ferir ninguém.

Quando pressionado sobre se seu governo precisava obedecer ao direito internacional, Trump disse: “Sim”. Mas deixou claro que ele seria o árbitro quando tais restrições se aplicassem aos Estados Unidos.

— Depende da sua definição de direito internacional — disse ele.

A avaliação de Trump sobre sua própria liberdade de usar qualquer instrumento de poder militar, econômico ou político para consolidar a supremacia americana foi o reconhecimento mais direto até o momento de sua visão de mundo. Em sua essência, está o conceito de que em vez de leis, tratados e convenções, a força nacional deve ser o fator decisivo quando as potências colidem.

Ele reconheceu algumas limitações internas, mesmo enquanto perseguia uma estratégia maximalista de punir instituições de que não gosta, exigir retribuição contra oponentes políticos e mobilizar a Guarda Nacional para cidades, apesar das objeções de autoridades estaduais e locais.

Planos para a América Latina

Ele deixou claro que usa sua reputação de imprevisibilidade e sua disposição para recorrer rapidamente à ação militar, muitas vezes a serviço da coerção de outras nações. Durante a entrevista ao Times, ele recebeu um longo telefonema do presidente Gustavo Petro, da Colômbia, que estava claramente preocupado após repetidas ameaças de que Trump estaria considerando um ataque ao país semelhante ao sofrido pela Venezuela.

— Bem, estamos em perigo — disse Petro em uma entrevista ao NYT pouco antes da ligação. — Porque a ameaça é real. Foi feita por Trump.

A ligação entre os dois líderes, cujo conteúdo não foi divulgado oficialmente, foi um exemplo de diplomacia coercitiva em ação. E ocorreu poucas horas depois de Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, terem retirado os Estados Unidos de dezenas de organizações internacionais destinadas a fomentar a cooperação multinacional.

Com informações de O Globo.

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