- 25 de maio de 2026
República Democrática do Congo tem mais de 900 casos suspeitos de ebola, segundo OMS; surto preocupa autoridades
Mais de 900 casos suspeitos de ebola foram identificados na República Democrática do Congo (RDC), um país assolado por um grande conflito, segundo informou no domingo (24) o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS). “À medida que intensificamos os esforços de vigilância na resposta ao ebola na RDC, mais de 900 casos suspeitos foram identificados até o momento, incluindo 101 casos confirmados”, escreveu Tedros Adhanom Ghebreyesus em uma publicação nas redes sociais. O diretor, no entanto, não apresentou números atualizados de mortes provocadas pela doença.
O ebola é uma doença viral letal que se propaga por contato direto com fluidos corporais. A enfermidade pode provocar hemorragias graves e falência de múltiplos órgãos. O país declarou um surto em 15 de maio provocado pela cepa Bundibugyo, para a qual não existem vacinas nem tratamentos aprovados. Em uma atualização anterior publicada no sábado, o Ministério da Saúde da RDC informou que 204 mortes foram registradas em três províncias do país da África Central, a partir de 867 casos suspeitos.
Essa é a 9ª vez que a OMS instaura o mais alto nível de alerta – e a terceira relacionada ao vírus Ebola.
Espécie diferente
A Ebola é uma zoonose, ou seja, uma doença que circula entre animais. Acredita-se que morcegos frugívoros sejam os principais reservatórios naturais do vírus, e que a infecção entre humanos ocorra pelo contato próximo com sangue ou secreções de animais contaminados.
Depois, porém, o vírus pode se espalhar entre humanos pelo contato direto com sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas ou por superfícies contaminadas.
A doença é causada por vírus que pertencem ao gênero Orthoebolavirus, da família Filoviridae. Existem seis espécies de vírus do tipo, sendo que três delas são conhecidas por causarem grandes surtos
As espécies Zaire e Sudão são as mais comuns nos surtos de Ebola em países africanos. A emergência atual, no entanto, é causada pela espécie Bundibugyo, que só foi detectada outras duas vezes: em surtos de 2007 e 2012.
Uma das dificuldades é que não existem vacinas e tratamentos específicos para essa espécie, como existem, por exemplo, para o Zaire. Isso ocorre, entre outros motivos, justamente pela raridade do vírus, já que sua circulação é necessária para testar a eficácia e a segurança das terapias.
Escala do surto
Outra diferença é a escala do surto atual quando ele foi notificado. Devido à alta letalidade do Ebola, que chega a cerca de 50% dos casos, quando há a suspeita de uma infecção, ela é rapidamente informada às autoridades, que iniciam as medidas de contenção do vírus.
Em setembro do ano passado, por exemplo, a RDC notificou a OMS sobre casos suspeitos de Ebola no país antes mesmo que fossem confirmados. Quando o surto foi declarado pelo Ministério da Saúde do país, eram 28 casos. Ele chegou ao fim em dezembro após um período de 42 dias sem novos registros. Ao todo, foram somente 64 infectados e 45 mortes.
Em outros surtos de magnitude maior, como o que teve início na Guiné e se tornou a maior epidemia de Ebola já registrada, em 2014, as autoridades também foram notificadas rapidamente. Ao declarar que era um surto pelas autoridades de saúde, por exemplo, eram apenas 49 casos suspeitos e 29 mortes identificadas na época.
Dessa vez, porém, foi diferente. Quando a RDC notificou a OMS, no início de maio, já eram 246 casos suspeitos e 80 mortes por Ebola. Essa rapidez e amplitude de disseminação foram fatores que levaram o diretor-geral da organização a declarar emergência internacional.
Zonas de conflito
Por fim, a OMS tem relatado dificuldade para controlar o surto devido à região ser caracterizada por um “contexto epidemiológico, operacional e humanitário altamente complexo, marcado por insegurança, deslocamento populacional e áreas tanto densamente povoadas quanto remotas”, como explicou Anne Ancia, representante da organização na RDC.
Neste domingo, Tedros disse que, na província de Ituri, epicentro do surto, quase 5 milhões de pessoas vivem em meio a um conflito contínuo. 1 em cada 4 pessoas precisa de assistência humanitária, e 1 em cada 5 está deslocada internamente, complementou o chefe da OMS:
— A violência está forçando as pessoas a fugir, incluindo trabalhadores da saúde e da assistência humanitária. Isso está prejudicando gravemente os esforços para ampliar o rastreamento de contatos de Ebola e identificar infecções cedo o suficiente para fornecer cuidados de suporte. A insegurança e o medo contínuos também estão alimentando a desconfiança nas comunidades.
Além disso, há uma revolta de parte da população que acredita em teorias conspiratórias sobre o Ebola, questionando a existência do vírus. Na última semana, ao menos três ataques a hospitais foram registrados na RDC. Muitas famílias tentam recuperar os corpos das vítimas para realizar rituais funerários tradicionais. No entanto, a OMS destaca que práticas inseguras de sepultamento que envolvem contato direto com pessoas falecidas favorecem a disseminação.
Redação Cidade 091 com informações de O Globo.