- 10 de maio de 2026
Passageiros de cruzeiro com surto de hantavírus começam a ser desembarcados na Espanha
O cruzeiro MV Hondius chegou neste domingo (10) às Ilhas Canárias, na Espanha, após registrar casos de hantavírus entre passageiros e tripulantes durante uma viagem iniciada no sul da Argentina. A embarcação atracou em Tenerife para o início de uma operação de desembarque, isolamento e repatriação organizada pelo governo espanhol em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo autoridades locais, os passageiros começaram a deixar o navio ainda durante a madrugada. O protocolo adotado prevê avaliação médica dentro da embarcação antes da transferência dos ocupantes para terra firme. Em seguida, grupos são levados por militares até ônibus isolados da população local e encaminhados ao aeroporto de Tenerife Sul, de onde partem voos para os países de origem.
O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, informou que o esquema foi estruturado para evitar contato entre os passageiros e moradores da ilha. O desembarque ocorre por nacionalidade, conforme a disponibilidade dos voos de repatriação.
Após a retirada dos passageiros, o MV Hondius seguirá para a Holanda, onde passará por um processo de desinfecção sob responsabilidade das autoridades holandesas e da empresa Oceanwide Expeditions, operadora do cruzeiro.
A operação é acompanhada pela OMS. O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, esteve em Tenerife para acompanhar o desembarque e afirmou que o risco para a população local permanece baixo.
Em comunicado divulgado às autoridades das Canárias, Tedros afirmou que o cenário não representa uma situação semelhante à pandemia de covid-19, embora tenha reconhecido a gravidade dos casos registrados no navio. Até o momento, três mortes foram confirmadas relacionadas ao surto.
A chegada da embarcação provocou preocupação entre moradores de Tenerife, principalmente na região de Granadilla de Abona, onde o navio permaneceu ancorado. O governo regional das Canárias chegou a demonstrar resistência à atracação, mas o governo espanhol autorizou a operação após solicitação da OMS.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que receber a embarcação fazia parte das obrigações humanitárias e internacionais do país.
Casos confirmados e monitoramento internacional
De acordo com a OMS, seis dos oito casos suspeitos de hantavírus registrados no cruzeiro foram confirmados. Três pessoas morreram. Entre elas estão uma passageira alemã e um casal holandês.
O navio partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril. Durante a viagem, passageiros começaram a apresentar sintomas respiratórios e febre. Parte dos pacientes precisou ser transferida para hospitais na África do Sul.
As autoridades internacionais também monitoram possíveis casos fora da embarcação. Holanda, França, Singapura e Estados Unidos acompanham pessoas que tiveram contato com passageiros infectados durante voos e deslocamentos.
O sistema público de saúde do Reino Unido informou que passageiros britânicos serão colocados em quarentena após o retorno ao país.
O que é o hantavírus
O hantavírus é transmitido principalmente por roedores silvestres infectados. O contágio ocorre, na maioria dos casos, pela inalação de partículas contaminadas presentes na urina, saliva e fezes desses animais.
A doença pode provocar a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), que afeta pulmões e coração. Entre os sintomas mais comuns estão:
- febre;
- fadiga;
- dores musculares;
- tontura;
- dores de cabeça;
- problemas abdominais;
- calafrios.
Em situações mais graves, o quadro pode evoluir para insuficiência respiratória e comprometimento cardiovascular.
Não existe tratamento específico contra o hantavírus. O atendimento é baseado no controle dos sintomas e suporte médico, podendo incluir oxigenoterapia, ventilação mecânica e internação em unidades de terapia intensiva.