- 27 de abril de 2026
Polarização marca corrida ao Senado no Pará e amplia incerteza pela segunda vaga
A corrida pelo Senado no Pará em 2026 apresenta um cenário com divisão entre grupos políticos e espaço limitado para novas candidaturas fora dos blocos principais. De um lado, a base associada ao governo estadual mantém protagonismo, com influência direta do ex-governador Helder Barbalho (MDB), que deve garantir, sem muitos problemas, a primeira cadeira. Do outro, nomes ligados à direita, como Éder Mauro (PL) e Zequinha Marinho (Podemos), aparecem como opções consolidadas nesse campo.
Esse desenho reduz a circulação de votos entre diferentes espectros ideológicos, especialmente entre eleitores alinhados à centro-esquerda. Ao mesmo tempo, a estrutura política vinculada ao governo tende a fortalecer candidaturas que integram essa base, ampliando a competitividade de nomes próximos à gestão estadual.
Nesse contexto, o deputado federal Celso Sabino (PDT) passa a ser citado como alternativa fora da polarização direta. Com passagem pelo Ministério do Turismo e participação em agendas nacionais, como a organização da COP30, o parlamentar é apontado como um nome com capacidade de diálogo em diferentes setores políticos.
A atuação de Sabino em espaços estratégicos, como a Comissão Mista de Orçamento, também ampliou sua presença junto a lideranças municipais, fator considerado relevante em disputas majoritárias no estado. Esse movimento contribui para a construção de uma candidatura com apoio em diferentes regiões do Pará.
Nos bastidores, a articulação política envolve apoio do governo federal e possibilidade de composição com partidos da base aliada, incluindo nomes do PT na suplência, já que Ana Júlia Carepa já deu seu “ok” para compor a chapa. A estratégia busca consolidar uma candidatura competitiva capaz de atrair eleitores de diferentes campos.
Historicamente, a centro-esquerda no Pará apresenta oscilações no desempenho em eleições para o Senado. Desde a redemocratização, o grupo alterna momentos de vitória com períodos sem representação, o que tem levado à formação de alianças mais amplas como forma de manter presença no cenário político.
Diante desse histórico, a possível candidatura de Celso Sabino representa uma tentativa de reorganização desse campo, em um ambiente marcado por divisão entre blocos políticos e disputa por espaço no eleitorado paraense.
Outro nome citado no cenário é o de Chicão. No entanto, o parlamentar enfrenta dificuldades para ampliar apoio. Apesar de contar com respaldo do governo, não apresenta o mesmo desempenho nas pesquisas, que indicam preferência por nomes como Éder Mauro, Zequinha Marinho e o próprio Celso Sabino, sendo considerada uma candidatura ainda “sem tração”.
O apoio do governo federal a Sabino pode influenciar o cenário eleitoral, mas o deputado ainda depende de alianças no âmbito estadual para ampliar a competitividade, enquanto candidaturas da direita concentram parcela significativa do eleitorado.
Ainda assim, Chicão deve manter a candidatura ao Senado, sem indicação de alternativa até o momento.
Em paralelo, Celso Sabino articula a possibilidade de transferência de votos para a esposa, a ex-delegada e auditora do Tribunal de Contas do Estado do Pará (TCE-PA) Erika Sabino. Com isso, o grupo político busca manter presença institucional independentemente do resultado da eleição, inclusive com interlocução junto ao presidente Lula.