• 17 de março de 2026

PF prende trio com meio milhão de reais em Belém e ligação com deputado evangélico levanta suspeita de corrupção

Divulgação

A prisão em flagrante de três homens com R$ 500 mil em espécie, em Belém, colocou sob suspeita a possível ligação do deputado evangélico Raimundo Santos com um esquema investigado pela Polícia Federal, após a confirmação de que um dos detidos é seu genro e servidor da Casa Civil do Estado.

A operação, realizada na tarde de segunda-feira (16), foi desencadeada a partir de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou movimentações consideradas atípicas envolvendo a empresa Solucione Produções Comércio de Livros e Serviços Ltda.

De acordo com o auto de prisão em flagrante, o saque foi realizado por Ronaldy Rian Moreira Gomes em uma agência do Banco do Brasil, no bairro de Batista Campos. Ele deixou o local com uma mochila contendo R$ 500 mil em espécie e seguiu em direção a um veículo Land Rover blindado que o aguardava nas proximidades.

A abordagem foi feita por agentes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO). O motorista do carro, Felipe Linhares Paes, tentou fugir e chegou a apontar uma arma para os policiais, sendo contido após disparos de advertência. Dentro do veículo também estava Michel Silva Ribeiro, servidor público com vínculo ativo na Casa Civil do Pará e apontado como genro do deputado Raimundo Santos.

As investigações indicam que Ronaldy atuava como “laranja”, recebendo cerca de R$ 3 mil mensais para figurar como sócio formal da empresa. Já Felipe seria o verdadeiro operador financeiro, utilizando terceiros para ocultar patrimônio e movimentações, inclusive registrando o veículo em nome de um funcionário.

A presença de Michel Ribeiro no carro, no momento em que o dinheiro era transportado, levantou suspeitas de corrupção passiva. Segundo a Polícia Federal, a versão apresentada por ele, dizendo que participava de uma reunião sobre produção de livros, foi considerada inverossímil diante do contexto da operação.

Relatórios de inteligência financeira apontam que a empresa investigada movimentou valores incompatíveis com sua atividade formal, além de manter relações com pessoas investigadas por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Também foram identificados contratos firmados com a Fundação Cultural do Estado do Pará (FCP), por meio de inexigibilidade de licitação, que somam R$ 3,8 milhões em 2026, com mais de R$ 1,3 milhão já pagos.

A Polícia Federal apura se parte desses recursos públicos pode ter sido desviada e posteriormente “lavada” por meio de saques em espécie e uso de empresas interpostas. Há ainda indícios de uma rede de pessoas jurídicas interligadas, com sócios sem capacidade econômica compatível.

O caso também levanta possíveis conexões políticas mais amplas. Investigadores trabalham com a hipótese de que Felipe Linhares Paes atuaria como operador de interesses ligados a parlamentares, incluindo nomes do meio evangélico no estado. Além de Raimundo Santos, outras figuras políticas são citadas no material investigativo, embora sem imputação formal até o momento.

Os três suspeitos foram autuados por crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa, corrupção ativa e passiva, além de porte ilegal de arma de fogo e resistência à prisão. A Polícia Federal já solicitou a quebra de sigilo dos dispositivos eletrônicos apreendidos para aprofundar as investigações.

O inquérito segue em andamento e deve apurar se há envolvimento direto de agentes públicos e políticos no esquema. Até o momento, não há denúncia formal contra o deputado, mas sua ligação familiar com um dos investigados colocou seu nome no centro das atenções.

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