• 21 de dezembro de 2025

O melhor presente de Natal é a prudência. Todo cuidado é pouco nas estradas e nos rios neste fim de 2025

Rodrigo Pinheiro/Agência Pará

À medida que o Natal de 2025 se aproxima e o fluxo de deslocamentos aumenta nas estradas e rios de todo o país, o entusiasmo das festividades deve ser acompanhado por uma vigilância rigorosa. A negligência com a segurança pode transformar momentos de celebração em luto. 

Historicamente, o período natalino é marcado por estatísticas alarmantes de acidentes e tragédias que deixaram cicatrizes profundas, servindo como um alerta de que a prudência é o único caminho para garantir que as celebrações deste ano não se tornem parte de uma triste cronologia de fatalidades evitáveis.

No Pará, o período entre a véspera de Natal e o Ano Novo é um dos momentos de maior fluxo de deslocamentos. Em Belém, as saídas da capital via BR-316 e os portos em direção às ilhas e ao arquipélago do Marajó tornam-se palcos de uma corrida contra o tempo. No entanto, o que deveria ser um momento de comemoração familiar muitas vezes se transforma em tragédia.

No Brasil e no mundo, a história tambem registra tragédias nessa época natalina até hoje lembradas com tristeza. O incêndio no Gran Circus Norte-Americano, com mais de 500 mortos, a maioria crianças, ainda é a maior tragédia já ocorrida em um recinto fechado no país. Foi no dia 17 de dezembro de 1961, mas marcou profundamente o Natal daquele ano. O naufrágio do Bateau Mouche, em 31 de dezembro de 1988, na Baía de Guanabara (RJ), com 55 mortos, deixou o Brasil todo de luto na virada de ano.

O tsunami no Oceano Índico, em 26 de dezembro de 2004, em que ondas de até 30 metros atingiram 14 países e cerca de 230 mil pessoas morreram, é um dos mais trágicos finais de ano da história.

Atenção nas rodovias

O Pará tem marcos dolorosos de acidentes rodoviários neste período. No Natal de 2024, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou mortes em rodovias federais que cortam o estado, com a principal causa sendo a imprudência. Na véspera de Natal de 2023, uma colisão frontal em Nova Timboteua tirou a vida de duas pessoas, um lembrete cruel de que em pistas simples, como as que levam ao interior e ao litoral paraense, qualquer erro é fatal.

O “corredor da morte”, como muitos chamam os primeiros quilômetros da BR-316 na saída de Belém, exige atenção redobrada. O aumento do tráfego gera congestionamentos que testam a paciência do motorista, levando a ultrapassagens perigosas pelo acostamento. Além disso, a combinação de álcool e direção continua sendo o principal fator de risco. Em 2025, a fiscalização será intensificada com bafômetros e radares móveis, mas a responsabilidade individual permanece como a barreira mais eficaz contra os acidentes.

Na Operação Natal de 2024, realizada de 20 a 25 de dezembro, foram registrados 11 acidentes, com duas mortes nas rodovias paraenses. No mês todo, o estado registrou um aumento de 26% em relação a 2023 nos atendimentos hospitalares a vítimas de acidentes de trânsito. 

Cuidado nos rios 

Para o paraense, a estrada muitas vezes é o rio. O Porto de Belém e os trapiches de Icoaraci registram lotação máxima para destinos como Cotijuba, Mosqueiro e o arquipélago do Marajó. A navegação fluvial no Pará guarda cicatrizes profundas, como o naufrágio do Dom Luiz XV em dezembro de 2002, ou tragédias mais recentes envolvendo embarcações clandestinas.

A morte trágica de uma jovem após um passeio de lancha na Ilha do Combu, no final de 2024, reacendeu o debate sobre a segurança em embarcações de pequeno porte e lazer. O uso do colete salva-vidas não é opcional. É a diferença entre a vida e a morte em caso de naufrágio ou queda acidental. Além disso, o fenômeno da “maresia” nesta época do ano, com ventos mais fortes, exige que os comandantes respeitem rigorosamente o limite de carga e passageiros.

Viagem segura

Para quem vai pegar a estrada ou o rio neste Natal de 2025, algumas medidas são indispensáveis:

Revisão preventiva: Verifique freios, pneus e luzes do carro. Nos barcos, confira a presença de botes e coletes.

Clandestinidade mata: Nunca utilize transportes (ônibus ou barcos) não autorizados pela Arcon ou Capitania dos Portos.

Atenção à Maré: No Pará, as condições climáticas mudam rapidamente. Evite travessias em momentos de tempestade ou maré muito agitada.

Paciência: O fluxo de saída de Belém será intenso. Saia com antecedência e não tente recuperar o tempo perdido com velocidade excessiva.

O Natal é tempo de união e reflexão. Que as lições deixadas pelas tragédias passadas sirvam de guia para que, em 2025, o único registro das festas paraenses seja o da solidariedade nas reuniões em família e da alegria compartilhada. Nas estradas ou nos rios, o maior presente é chegar ao destino.

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