• 9 de março de 2026

Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá morto, é o novo líder supremo do Irã

Reprodução / O Globo

A Assembleia de Especialistas do Irã anunciou no domingo (8) Mojtaba Khamenei, filho do falecido aiatolá Ali Khamenei, como o novo líder supremo do país. Sua ascensão sinaliza o desejo do governo iraniano de manter a continuidade no poder, enquanto o Irã enfrenta ataques crescentes dos Estados Unidos e de Israel, nove dias após o início da guerra.

O anúncio ocorre em meio às ameaças das Forças Armadas de Israel sobre matar quem quer que sucedesse o aiatolá morto, e do presidente americano, Donald Trump, que anteriormente disse que o filho de Khamenei era uma escolha “inaceitável”, que alertou em uma entrevista à ABC News mais cedo neste domingo, antes da nomeação, que o próximo líder supremo não “duraria muito” sem a aprovação dos Estados Unidos.

Em um longo comunicado, a assembleia afirmou que “após estudos cuidadosos e extensivos… na sessão extraordinária de hoje, o aiatolá Seyyed Mojtaba Hosseini Khamenei (que Allah o proteja) é nomeado e empossado como o terceiro líder do sagrado sistema da República Islâmica do Irã, com base no voto decisivo dos respeitados representantes da Assembleia de Especialistas.”

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica “está pronto para obediência total e autossacrifício no cumprimento das ordens divinas” do aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, afirmou o exército ideológico da república islâmica em um comunicado.

Aos 56 anos, Mojtaba Khamenei foi nomeado após o pai, a maior autoridade do país por mais de três décadas, ter sido morto em um ataque aéreo americano-israelense em 28 de fevereiro. Ele é conhecido por ter laços estreitos com a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e assume o comando não apenas como a nova autoridade religiosa e política do país, mas também como comandante-em-chefe das Forças Armadas.

“O candidato mais adequado, aprovado pela maioria da Assembleia de Especialistas, foi determinado”, disse mais cedo neste domingo Mohsen Heydari, membro do órgão de seleção, segundo a agência de notícias iraniana Isna, antes do anúncio acontecer.

Mohammad Mehdi Mirbagheri, também integrante, confirmou em um vídeo divulgado pela agência de notícias iraniana Fars mais cedo que “se chegou a uma opinião firme que reflete o ponto de vista da maioria”.

Já o aiatolá Mohsen Heidari Alekasir disse que o “Grande Satã”, termo usado pelo Irã para se referir aos EUA, havia, inadvertidamente, prestado “uma espécie de serviço” à Assembleia ao criticar publicamente certos candidatos. Seus comentários pareciam se referir às declarações de Trump, que afirmou na quinta-feira que seria inaceitável a escolha de Mojtaba, filho de Khamenei, como sucessor.

“Alguém que se opõe ao inimigo tem maior probabilidade de beneficiar o Irã e o Islã”, disse Alekasir.

“Israel continuará perseguindo o sucessor e todos que tentarem nomeá-lo”, escreveu nas redes sociais o porta-voz militar israelense Avichay Adraee antes do anúncio de que um nome havia sido escolhido. “Alertamos todos que planejam participar da reunião para nomear um sucessor: não hesitaremos em atacá-los também.”

Na semana passada, as Forças Armadas israelenses bombardearam escritórios ligados à Assembleia de Especialistas, sem registro de vítimas.

Figura misteriosa

Igual a seu pai, o novo líder supremo não tem todas as credenciais religiosas no momento de sua ascensão, mas foi preparado para o cargo, servindo na Guarda Revolucionária, estudando em um seminário religioso e trabalhando em estreita colaboração com seu pai. Mas sua personalidade e suas posições políticas fora do círculo íntimo de seu pai são desconhecidas. Ele raramente fala ou aparece em público.

O falecido aiatolá Khamenei havia indicado a conselheiros próximos que não desejava que seu filho o sucedesse, pois não queria que o cargo se tornasse hereditário, segundo três altos funcionários iranianos familiarizados com Khamenei e com o processo de seleção. Eles falaram sob condição de anonimato para discutir assuntos internos sensíveis.

Mas a ascensão de Mojtaba Khamenei sugere que aqueles nos círculos de poder do Irã — os clérigos de alto escalão, a Guarda Revolucionária e políticos influentes, como o chefe do Conselho de Segurança Nacional, Ali Larijani — fecharam fileiras em um momento de grave crise e guerra.

Redação Cidade 091 com informações de O Globo.

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