- 11 de maio de 2026
Diretora denuncia “apagamento” do Museu de Arte de Belém após extinção da Fumbel na gestão Igor Normando
A situação do Museu de Arte de Belém (MABE) foi tema de denúncia durante audiência pública realizada na última quarta-feira (6), na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), que debateu museus e políticas públicas no estado. A manifestação foi feita pela artista plástica Nina Matos, atual diretora do museu.
Segundo Nina, a crise enfrentada pela instituição começou após a extinção da Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel), promovida pela gestão do prefeito Igor Normando (MDB). De acordo com ela, o MABE era vinculado diretamente à fundação e perdeu cargos de direção e chefias responsáveis por setores ligados às atividades museológicas.
“Com a extinção dessa fundação no ano passado, pelo governo Igor Normando, o MABE foi atingido de forma mortal, perdendo seus cargos de direção e chefias de divisões museológicas vitais para o exercício de sua missão”, declarou durante a audiência.
Durante a audiência, Nina afirmou que o museu deixou de integrar oficialmente o organograma da atual Secretaria Municipal de Cultura, criada após o fim da Fumbel. Segundo a diretora, a ausência do MABE na estrutura administrativa tem afetado o funcionamento da instituição.
A diretora relatou que o museu enfrenta falta de orçamento, equipe técnica e equipamentos necessários para atividades administrativas e ações voltadas à pesquisa, curadoria, preservação do acervo e realização de exposições.
“Sem configurar em lugar algum, está invisível na estrutura da Secult municipal, sem orçamento, equipe técnica e equipamentos tanto para as ações administrativas corriqueiras como para suas grandes ações de pesquisa, curadoria e difusão do acervo”, afirmou.
Outro ponto citado por Nina Matos foi a paralisação das atividades educativas do museu. Segundo ela, o ateliê educativo, o mini auditório e outros espaços antes utilizados pelo MABE passaram a ser ocupados pela administração da Prefeitura de Belém, instalada no Palácio Antônio Lemos, onde também funciona o museu.
A diretora também afirmou que a biblioteca do MABE está sem funcionamento regular por falta de equipe e estrutura para preservação do acervo documental. Segundo ela, a situação coloca em risco materiais históricos e obras mantidas pela instituição.
Ainda durante a audiência, Nina classificou o cenário como um “apagamento calculado” da instituição cultural. Em seu discurso, afirmou que o processo afeta não apenas o funcionamento do museu, mas também a preservação da memória artística do Pará.
Além das denúncias feitas por Nina Matos na Alepa, a situação do Museu de Arte de Belém (MABE) também motivou manifestações públicas de artistas e intelectuais ligados à cultura amazônica.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o poeta, professor e ensaísta paraense João de Jesus Paes Loureiro divulgou uma carta aberta direcionada ao prefeito Igor Normando. No texto, ele criticou a ocupação de áreas do MABE por setores administrativos da Prefeitura de Belém e afirmou que a mudança compromete o funcionamento do espaço cultural e o acesso da população ao museu.
Paes Loureiro também apontou preocupação com a redução das atividades culturais e museológicas desenvolvidas no local após a extinção da Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel), estrutura à qual o MABE era vinculado anteriormente. Segundo o escritor, o avanço de setores administrativos sobre áreas do museu representa perda de espaço destinado à preservação artística, exposições e ações culturais abertas ao público.
Atualmente, o funcionamento do museu ocorre em horário reduzido, com visitas disponíveis entre 10h e 14h. O espaço também deixou de abrir aos fins de semana.
Posicionamento
Em nota, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), informou que o museu segue integrado à estrutura administrativa da pasta e mantém atividades regulares de funcionamento, atendimento ao público e preservação do acervo.
Segundo a prefeitura, o MABE funciona atualmente de terça a sexta-feira, das 9h às 16h, com exposições permanentes em seus espaços expositivos. Entre as obras citadas pela gestão municipal estão “A Fundação da Cidade de Belém”, de Theodoro Braga, e “Os Últimos Dias de Carlos Gomes”, de DeAngelis e Capranesi.
A Secult também destacou que o museu abriga atualmente a mostra “Vazios sobre Terra”, em cartaz até junho, reunindo cerca de 70 artistas em torno de debates relacionados às mudanças climáticas.
Em relação às críticas sobre estrutura e funcionamento, a secretaria afirmou que o MABE possui previsão orçamentária dentro da Secult e conta com equipe técnica, administrativa, servidores efetivos, cargos comissionados e estagiários. A gestão informou ainda que o museu possui direção própria, exercida atualmente por Josias da Silva Higino Filho.
Sobre as ações educativas, a prefeitura declarou que o espaço continua recebendo escolas, universidades e instituições para visitas mediadas e atividades ligadas ao acervo e às exposições em cartaz. A administração municipal afirmou ainda que trabalha para ampliar gradualmente as atividades culturais e educativas desenvolvidas no museu.
A gestão também informou que estuda medidas para fortalecimento estrutural e operacional do MABE, incluindo investimentos destinados à ampliação das atividades do espaço cultural.
Por fim, a Prefeitura de Belém afirmou reconhecer a importância histórica, artística e cultural do Museu de Arte de Belém e declarou que o debate público sobre os equipamentos culturais do município é legítimo, mas reforçou que o MABE segue em funcionamento e recebendo visitantes regularmente.