- 8 de maio de 2026
Comissão analisa relatório que aponta morte de JK pela ditadura militar
A Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) avalia um relatório que atribui a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek ao regime militar. O caso ocorreu em 22 de agosto de 1976, na Via Dutra (BR-116), entre Rio de Janeiro e São Paulo.
O parecer foi elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão. Ela rejeita a hipótese de acidente. Segundo a relatora, uma ação externa causou a saída do veículo da pista e a colisão com uma carreta que seguia no sentido contrário. A responsabilidade, afirma, é do regime da época.
O documento tem mais de 5 mil páginas. A Folha de S.Paulo teve acesso ao conteúdo. A versão oficial do governo militar dizia que o Opala, dirigido por Geraldo Ribeiro (motorista e amigo de JK), foi atingido por um ônibus durante uma ultrapassagem. Com o impacto, o carro teria invadido a contramão e batido em uma carreta. Os dois ocupantes morreram.
A relatora aponta ausência de evidências dessa primeira colisão. Investigações posteriores já haviam contestado a versão original. Um inquérito civil público conduzido pelo Ministério Público Federal (MPF) entre 2013 e 2019 atesta que o carro de JK não bateu no ônibus antes de cruzar as pistas. O mesmo inquérito, no entanto, afirma ser “impossível afirmar ou descartar a hipótese de atentado”.
O relatório também considerou processos das comissões estaduais da Verdade de São Paulo e de Minas Gerais. Ambas concluíram pela ocorrência de atentado político contra o ex-presidente, seja por sabotagem no veículo ou por disparos de arma de fogo.
O documento de Maria Cecília Adão está sob análise dos conselheiros da CEMDP. A apreciação ocorrerá na próxima reunião do grupo, ainda sem data definida.
Criada em 1995 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, a comissão tem a função de reconhecer mortos e desaparecidos em razão da repressão política, identificar corpos e apoiar ações de familiares contra o Estado.
Quem foi Juscelino Kubitschek
Ex-presidente do Brasil entre 1956 e 1961, JK governou sob o lema “50 anos em 5”. O período ficou marcado por obras de infraestrutura e pela construção de Brasília, inaugurada em abril de 1960.
Em 1961, foi eleito senador. Teve o mandato cassado após o golpe militar de 1964. A morte na Via Dutra nunca foi esclarecida oficialmente.