• 31 de março de 2026

Anvisa aprova novo medicamento para prevenir VSR, principal causa de bronquiolite infantil

Tony Winston/Agência Brasília

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira, o medicamento clesrovimabe, vendido com o nome comercial de enflonsia pela farmacêutica MSD Brasil, para prevenir o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causa de bronquiolite infantil. Ainda não há informações sobre oferta ou preço no país.

O remédio é um anticorpo monoclonal que combate o vírus, aplicado por meio de uma injeção intramuscular em recém-nascidos e bebês lactentes durante períodos de maior circulação do VSR, como no outono e no inverno. Segundo dados do Ministério da Saúde, o patógeno é responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite e até 60% das pneumonias em crianças menores de dois anos.

A estimativa é que uma em cada cinco crianças infectadas precise de atendimento ambulatorial, enquanto uma em cada 50 seja hospitalizada no primeiro ano de vida. Entre 2018 e 2024, foram registradas 83,7 mil internações de bebês prematuros devido a complicações relacionadas ao vírus.

A doença, que é mais grave nos primeiros seis meses de vida, costuma atingir especialmente prematuros e crianças com outras condições de saúde, como cardiopatias congênitas ou doença pulmonar crônica da prematuridade.

Em um estudo publicado na revista científica The New England Journal of Medicine, que acompanhou 3.614 bebês, aqueles que receberam o clesrovimabe tiveram 60,4% menos infecção respiratória inferior associada ao VSR com necessidade de atendimento médico nos cinco meses seguintes da aplicação do que os que tomaram placebo. Além disso, tiveram 84,2% menos hospitalização pelo VSR no mesmo período.

O anticorpo se soma a um conjunto de novas armas contra o VSR. Em dezembro do ano passado, o Ministério da Saúde deu início à primeira campanha nacional de vacinação contra o vírus destinada a gestantes de até 49 anos. O imunizante, chamado de Abrysvo, da Pfizer, é aplicado em dose única a partir da 28ª semana de gestação e transfere a proteção para o bebê durante a gravidez.

Nos estudos clínicos de fase 3, a vacinação reduziu em 81,8% os casos de doença do trato respiratório inferior (DTRI) grave nos primeiros três meses de vida do bebê, e em 69,4% seis meses após o nascimento.

Além disso, em fevereiro deste ano, a pasta começou a ofertar no Sistema Único de Saúde (SUS) o nirsevimabe, um anticorpo semelhante ao novo clesrovimabe, para recém-nascidos prematuros, com idade gestacional de até 36 semanas e 6 dias, e a crianças de até 23 meses com comorbidades.

De modo diferente das vacinas, que estimulam a proteção de células de defesa e anticorpos pelo sistema imunológico do indivíduo, os dois remédios são anticorpos que já vêm prontos e que, ao serem administrados, atuam imediatamente para eliminar o VSR caso a criança seja exposta ao vírus.

Redação Cidade 091 com informações de O Globo.

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