- 14 de abril de 2026
Aeroporto de Val-de-Cães ganha altitude no ranking global da eficiência, mas ainda há o que melhorar
O Aeroporto Internacional de Belém Júlio Cezar Ribeiro, em Val-de-Cães, aparece recentemente em rankings de pontualidade e eficiência, acompanhando um movimento mais amplo de melhora da aviação brasileira. Ainda assim, a leitura desses indicadores positivos precisa ser feita com cautela, já que eles convivem com problemas estruturais antigos que seguem impactando a experiência do passageiro e a operação cotidiana.
Em 2025, o terminal movimentou cerca de 4 milhões de passageiros e mais de 40 mil toneladas de carga, números que confirmam sua relevância regional e o papel logístico na Amazônia. No entanto, esse crescimento também expõe uma realidade: a infraestrutura urbana e aeroportuária de Belém ainda opera no limite em diversos momentos, especialmente em períodos de maior fluxo, quando filas, congestionamentos internos e dificuldade de processamento tornam mais visíveis os gargalos do terminal.
No aspecto operacional, embora haja avanços de gestão e melhoria em indicadores de pontualidade, os atrasos não são incomuns e costumam ser influenciados por fatores externos ao terminal, como limitações do espaço aéreo, condições meteorológicas típicas da região amazônica e restrições da malha aérea. Seria importantev transformar os índices positivos em melhoria estrutural definitiva, consistente e permanente.
A conectividade do aeroporto ainda é concentrada em poucos grandes centros, como São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, além de algumas rotas regionais e pouquíssimas viagens internacionais. Apesar de estratégica, essa rede ainda é considerada limitada para o tamanho e importância da região Norte, o que restringe alternativas de deslocamento e aumenta a dependência de conexões com aeroportos do Sudeste. Isso também contribui para tempos totais de viagem elevados, mesmo em rotas domésticas.
Obras e expansão
O terminal passa por obras de modernização, com ampliação de áreas de embarque, melhorias de climatização, reforço de pátios e ajustes no sistema operacional. Também houve investimentos em pista e navegação aérea, o que melhora segurança e regularidade.
Apesar disso, permanecem desafios históricos fora do sítio aeroportuário que impactam diretamente o acesso ao terminal. O deslocamento até o aeroporto, em uma região metropolitana com tráfego intenso e infraestrutura viária pressionada, ainda é um ponto crítico em horários de pico. A ausência de alternativas robustas de transporte público de alta capacidade até o terminal também limita a fluidez do acesso, aumentando a dependência de transporte individual ou por aplicativo.
Outro ponto recorrente é a percepção de que, em momentos de alta demanda, como feriados prolongados e eventos sazonais, o aeroporto pode voltar a apresentar saturação de serviços, com impacto em filas, conforto e tempo de processamento de passageiros. Foi o que se viu recentemente na COP30. Isso sugere que as ampliações em curso podem não ser suficientes, sozinhas, para acompanhar cenários de crescimento mais acelerado.
O bom desempenho recente do aeroporto se insere em uma melhora geral da aviação civil no país, mas não elimina desigualdades regionais nem resolve gargalos históricos da infraestrutura aeroportuária na Amazônia. No caso de Belém, o papel estratégico como principal porta de entrada da região continua evidente, especialmente para turismo, negócios e logística de cargas.
Ainda assim, sua consolidação depende não apenas de indicadores de pontualidade ou de expansão física, mas também da superação de limitações persistentes, como acesso urbano, capacidade de expansão contínua e maior diversidade de rotas. Sem isso, o avanço recente corre o risco de representar mais um ciclo de melhora parcial do que uma transformação estrutural duradoura.