- 11 de maio de 2026
Porta-voz iraniano classifica proposta para o fim da guerra como ‘razoável e generosa’ após Trump chamá-la de ‘inaceitável’
O principal porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, definiu a proposta iraniana para encerrar a guerra com os EUA como “razoável e generosa” nesta segunda-feira (11), um dia após o presidente americano, Donald Trump, classificar a resposta de Teerã como “inaceitável”, uma declaração que reacendeu temores sobre uma guerra de alta-intensidade na região. A mídia estatal da nação persa detalhou que entre os pontos exigidos por Teerã estavam o reconhecimento da soberania sobre o Estreito de Ormuz e o pagamento de indenizações pelos ataques ao território do país.
“Tudo o que propusemos em nosso texto consistia em demandas razoáveis, pedidos responsáveis e propostas generosas, não apenas para os interesses nacionais do Irã, mas para o bem, a estabilidade e a segurança de toda a região e do mundo”, disse Baghaei durante uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira.
O Irã entregou uma contraproposta a mediadores do Paquistão no fim de semana, em resposta a uma lista de demandas americanas. Trump apontou para a negociação como decisiva, sugerindo que uma resposta negativa iraniana poderia levar a um retorno do conflito. No domingo, o presidente disse em uma entrevista que os EUA levariam duas semanas para atacar os alvos restantes no país.
Ainda de acordo com Baghaei, as exigências apresentadas na contraproposta incluíam o fim da guerra na região, o fim da “pirataria marítima contra navios iranianos” — como o governo de Teerã se refere ao bloqueio marítimo americano aos portos do país — e o levantamento das sanções que congelaram bens do país em bancos estrangeiros.
Apesar do otimismo que autoridades americanas tentaram demonstrar ao longo da semana passada sobre a proximidade de um acordo, analistas apontavam que um suposto documento americano com 14 pontos não apresentava avanços em temas que já haviam impedido acertos anteriormente. A contraproposta enviada pelo Irã, por exemplo, ignorou discussões sobre um possível acordo nuclear neste momento — uma prioridade para a Casa Branca e seus aliados em Israel.
Em uma entrevista na TV americana, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a guerra no Irã não havia terminado e que o urânio enriquecido por Teerã deveria ser “retirado” antes do fim da operação militar contra o país.
O colapso das negociações sobre a proposta americana levou a uma nova alta no preço do petróleo, que tem impacto no mercado global. França e Reino Unido anunciaram que seus ministros da Defesa copresidirão uma reunião com representantes de quase 40 países dispostos a contribuir para uma missão destinada a garantir a segurança do Estreito de Ormuz, na terça-feira. O Irã advertiu que haverá uma “resposta decisiva e imediata” em caso de mobilização militar na região.
Redação Cidade 091 com informações de O Globo.