• 4 de maio de 2026

Desaprovação de Trump atinge novo recorde em pesquisa recente, a seis meses das eleições de meio de mandato

Tasos Katopodis/Getty Images/AFP via O Globo

A desaprovação ao presidente americano, Donald Trump, chegou a 62% em pesquisa do Washington Post-ABC News/Ipsos — o maior índice de rejeição já registrado nesse levantamento. Divulgada neste domingo, a sondagem também apontou aprovação de apenas 37% dos americanos.

A poucos meses das eleições legislativas, em novembro, as perspectivas para o governista Partido Republicano parecem se complicar enquanto 76% rejeitam a gestão do custo de vida, 72% a condução da inflação e 66% a guerra com o Irã, que 61% consideram um erro.

Nesse cenário, a pesquisa —realizada de 24 a 28 de abril com 2.560 adultos (margem de erro de 2 pontos percentuais) — indica que os democratas têm 49% das intenções de voto contra 44% dos republicanos para a Câmara, um aumento de dois pontos percentuais em relação a fevereiro. O levantamento também aponta que eleitores democratas estão mais motivados a votar.

‘Projeto liberdade’

Neste domingo, sem explicar como, Trump afirmou que os EUA lançarão nesta segunda a iniciativa “Projeto Liberdade” para ajudar a guiar navios para fora do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção global de petróleo e gás liquefeito. O fechamento da hidrovia pelo Irã causou uma disparada nos preços do petróleo e a alta da inflação mundial. O Comando Central dos EUA disse que apoio militar para uma “missão defensiva” incluirá contratorpedeiros com mísseis guiados, mais de cem aeronaves e 15 mil militares, com um oficial americano tendo afirmado que a iniciativa não é uma missão de escolta.

Também neste domingo, o Ministério de Relações Exteriores do Irã disse que está revisando a resposta americana à sua proposta para um acordo, enquanto o enviado americano Steve Witkoff afirmou à rede americana CNN que as conversas estão em andamento.

Dois meses após o início da guerra no Irã, o presidente agora se depara com a complexa realidade de um conflito que se mostra custoso, profundamente impopular e sem um desfecho claro. Matthew Bartlett, estrategista republicano e ex-funcionário do Departamento de Estado que trabalhou no primeiro governo Trump, disse que as mensagens inconsistentes do republicano em relação à guerra provavelmente não satisfarão os eleitores.

— A comunicação tem sido mais do que confusa, e os aspectos políticos, econômicos e até diplomáticos continuam a piorar — disse ao New York Times. — A trajetória foi descendente em todos os setores, e isso não é bom, visto que estamos entrando em mais uma semana, ou até mesmo mais um mês, de guerra.

Na semana passada, o Pentágono divulgou sua primeira estimativa pública do custo da guerra: US$ 25 bilhões (em torno de R$ 126 bilhões) — que muitos apontam como subestimada. Republicanos importantes no Congresso estão ficando impacientes. E Trump está atacando aliados estrangeiros, como a Alemanha, que não demonstraram interesse em entrar no conflito.

Trump defendeu repetidamente a guerra, que iniciou ao lado de Israel em 28 de fevereiro, e afirmou ser imprescindível que o Irã jamais possua uma arma nuclear. Os Estados Unidos e Israel eliminaram alvos militares e mataram importantes líderes iranianos — incluindo o líder supremo Ali Khamenei —, mas o governo iraniano permanece intacto e capaz de infligir danos aos Estados Unidos.

Impasse custoso

Por ora, os dois lados estão em um impasse. Washington mantém o bloqueio à navegação de e para portos do Irã, já que os iranianos se recusam a reabrir o estreito e ceder às exigências americanas de entregar seu urânio enriquecido. Mas, se a operação “Projeto Liberdade” anunciada neste domingo funcionar, poderá inverter a situação dos atuais bloqueios duplos. Mas também poderá levar a uma violação do cessar-fogo em vigor desde 8 de abril, caso o Irã tente interceptar navios ou desafiar a iniciativa americana.

Na sexta-feira, Trump descreveu a Marinha dos EUA como agindo como “piratas”, ao comemorar a apreensão de um navio cargueiro iraniano. No sábado, um general iraniano de alta patente afirmou que a retomada das hostilidades entre os dois países era possível, segundo a agência de notícias Fars. Trump também reconheceu que os ataques militares podem ser retomados. Ele disse a repórteres na Flórida, no sábado, que a retomada dos ataques militares no Irã é uma possibilidade, embora não tenha dado detalhes.

Com a possibilidade de o Estreito de Ormuz permanecer efetivamente fechado ainda por semanas, aumenta-se a possibilidade de preços elevados da energia por um período prolongado. Apesar das afirmações de Trump de que os preços da gasolina cairão em breve, o secretário de Energia, Chris Wright, reconheceu no mês passado que eles podem permanecer altos pelo resto do ano.

A guerra também aprofundou as divergências de Trump com seus aliados globais. Depois que o chanceler alemão, Friedrich Merz, disse que Trump estava sendo “humilhado” por causa da guerra com o Irã, Trump atacou o líder e seu governo anunciou a retirada de milhares de soldados da Alemanha. Ele sugeriu que poderia fazer o mesmo com a Itália e a Espanha, que se distanciaram do conflito.

O presidente se recusou a pedir ao Congresso permissão para continuar a guerra, apesar de ter expirado na sexta-feira o prazo legal de 60 dias para fazê-lo. O governo argumentou que não precisa dessa aprovação porque o cessar-fogo essencialmente suspendeu a contagem do prazo.

Redação Cidade 091 com informações de O Globo.

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