• 3 de outubro de 2025

Alexandre de Moraes suspende investigação contra prefeito de Ananindeua e MPPA faz nova denúncia

O Ministério Público do Pará (MPPA) criou, por meio da Portaria n.º 5157/2025-MP/PGJ, instituiu uma Força-tarefa para investigar o prefeito Daniel Santos, vereadores e secretários municipais. A equipe, comandada pelo procurador de Justiça Armando Brasil e três promotores, teria prazo inicial de 180 dias para instaurar investigações, ações civis públicas e denúncias criminais.

A medida foi justificada pelo procurador-geral de Justiça, Alexandre Tourinho, como necessária diante de indícios de possível organização criminosa no Executivo e Legislativo municipal, com supostos ilícitos de corrupção, peculato, fraude a licitações e lavagem de dinheiro.

“A gravidade e repercussão social dos fatos demandam uma atuação concentrada e especializada”, sustentou o MP.

Reviravolta

Contudo, o prefeito acordou nesta sexta, 3, com uma nova denúncia do Ministério Público estadual. A razão da denúncia são indícios de prática de crimes de corrupção, fraude em procedimentos licitatórios, lavagem de capitais e organização criminosa.

As investigações foram conduzidas no âmbito das operações Aqueronte e Hades, instauradas para apurar irregularidades em contratos administrativos firmados pelo município de Ananindeua com as empresas Edifikka Construtora e DSL Construtora e Incorporadora, ambas controladas pelo empresário Danillo Linhares.

De acordo com a denúncia do órgão, os contratos analisados ultrapassam R$ 100 milhões e apresentaram indícios de fraude ao caráter competitivo das licitações. 

As apurações também apontam que recursos públicos foram utilizados para quitar obrigações de natureza privada, incluindo a aquisição de fazendas, aeronaves e maquinário agrícola.

O material encaminhado ao Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA) reúne comprovantes de transferências bancárias, planilhas de pagamentos, conversas interceptadas e documentos contratuais que, segundo o MPPA, evidenciam a utilização de empresas contratadas pelo município para a realização de repasses em benefício particular do gestor denunciado.

Além do prefeito, foram denunciados empresários e outros agentes políticos vinculados à execução das condutas. O MP pede a responsabilização penal dos envolvidos pelos crimes previstos nos artigos 317 e 333 do Código Penal (corrupção passiva e ativa), artigo 337-F (fraude em licitação), artigo 1º da Lei 9.613/98 (lavagem de dinheiro) e artigo 2º da Lei 12.850/2013 (organização criminosa).

O processo tramita perante o TJPA, em razão da prerrogativa de foro do prefeito, tendo como Promotor Natural, o Procurador-geral de Justiça, Alexandre Tourinho.

Intervenção do ministro

a força-tarefa foi suspensa por decisão liminar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após recurso da Procuradoria do Município de Ananindeua. Para Moraes, a portaria do MP concedeu atribuições “amplas, genéricas e ilimitadas” à equipe, confundindo papéis de investigação e acusação.

A decisão ainda será analisada em definitivo, mas já gera debate sobre os limites da atuação do Ministério Público e a legalidade da iniciativa.

Trecho da decisão: O ministro foi categórico: “A avocação de atribuições de membro do Ministério Público pelo Procurador-Geral implica quebra na identidade natural do promotor responsável (…). Essa hipótese deve ser condicionada à aceitação do próprio promotor natural, para afastar a possibilidade de desempenho de atividades ministeriais por acusador de exceção, em prejuízo da independência funcional de todos os membros”.

“Somente o promotor natural é quem deve atuar no processo, pois ele intervém de acordo com seu entendimento pelo zelo do interesse público (…). O princípio do promotor natural não está expresso na Constituição, mas decorre das garantias constitucionais do devido processo legal e da inamovibilidade”.

“É inadmissível que o Procurador-Geral faça designações arbitrárias de Promotores de Justiça para substituir a atuação de outro, afastando compulsoriamente suas atribuições e prerrogativas legais”.

Relacionadas

Corpo de jovem desaparecido é encontrado em área de mata em Ananindeua após ação da PM

Corpo de jovem desaparecido é encontrado em área de…

Uma operação da Polícia Militar do Pará resultou na localização de um corpo enterrado em uma área de mata no bairro…
MP ajuíza ação contra Prefeitura de Belém e empresa Jurubeba por obras irregulares na orla de Mosqueiro

MP ajuíza ação contra Prefeitura de Belém e empresa…

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) ajuizou uma ação civil pública contra o Município de Belém, a empresa Jurubeba…
Campanha arrecada doações para tratamento de criança com câncer que precisa ir para São Paulo

Campanha arrecada doações para tratamento de criança com câncer…

Familiares e amigos de Antonella de Medeiros Ramos iniciaram uma campanha de arrecadação para custear o tratamento da criança, diagnosticada com…