- 24 de janeiro de 2026
Tiroteio no PSM da 14 de Março provoca pânico e deixa duas pessoas feridas
Momentos de medo marcaram o plantão do Hospital do Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti, na travessa 14 de Março, em Belém, no início da tarde deste sábado (24). Um episódio envolvendo disparos de arma de fogo dentro da unidade provocou correria e terminou com duas pessoas feridas.
De acordo com as informações, um homem e uma mulher em situação de rua foram levados ao hospital por agentes da Guarda Municipal para receber atendimento médico. Já nas dependências do pronto-socorro, a mulher conseguiu se apoderar da arma de um dos guardas e efetuou disparos. Uma funcionária da unidade e um agente da Guarda Municipal acabaram atingidos. Um dos tiros também foi disparado para o alto, aumentando o pânico entre pacientes, acompanhantes e servidores.
O clima de tensão tomou conta do hospital, que estava com grande movimentação no momento do ocorrido. Pessoas que aguardavam atendimento relataram desespero e tentativas de se proteger dentro da própria unidade. Policiais militares do 2º Batalhão e equipes da Rotam foram acionados para conter a situação e encaminhar os envolvidos à Seccional Urbana de São Brás. As vítimas feridas receberam atendimento médico no próprio HPSM.
Em posicionamento oficial divulgado neste sábado (24), a Prefeitura de Belém informou que o caso foi registrado por volta do meio-dia e que a situação foi controlada. “A Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) e da Guarda Municipal, informa que o incidente no Pronto Socorro Municipal Hospital Mário Pinotti (PSM da 14) foi registrado por volta de meio-dia deste sábado (24). Um casal, sob efeito de entorpecentes, foi levado ao local por agentes da Guarda para atendimento médico. A mulher teria sacado a arma de um dos guardas e disparado aleatoriamente, atingindo uma funcionária e um guarda municipal. As vítimas já estão em atendimento e estáveis.
O casal que causou a confusão foi conduzido à Seccional de São Brás para os procedimentos necessários. A situação já foi controlada no PSM da 14 e os atendimentos retornaram normalmente. A Polícia Civil irá instaurar um inquérito para apurar o ocorrido”, diz o comunicado da PMB.
Denúncia
Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra uma profissional da área da saúde fazendo um forte desabafo sobre a falta de segurança no pronto-socorro. “Neste momento no Pronto Socorro, há cerca de 20 minutos (no começo da tarde deste sábado, dia 24), aconteceu o que já estávamos prevendo e que estávamos tentando evitar. Na verdade, nos finais de semana, existe só um supervisor no Pronto Socorro, no andar térreo, e que cobre vários setores. É como falamos e já denunciamos até para o Ministério Público Federal que uma supervisão de Enfermagem num local que está em vários lugares não está em nenhum lugar, na prática”, afirmou.
No mesmo registro, a profissional detalha como o episódio ocorreu em meio a um ambiente lotado. “Hoje, foi recebido duas pessoas que foram presas furtando no centro da cidade, vieram acompanhadas da Polícia. A Polícia, por sua vez, deixou parte dessa responsabilidade para a Guarda Municipal. A Guarda Municipal, não treinada o suficiente, acabou que deixou essas pessoas no salão. O salão estava cheio de pacientes aguardando para ser atendidos, e num momento em que eles se viram na possibilidade de desarmar a Guarda Municipal, uma das assaltantes, era um casal, desarmou uma guarda municipal, agrediu fisicamente e desarmou, e disparou três tiros. Um numa servidora da UCT, que foi baleada na perna. Um guarda municipal também foi baleado. Atirou para cima. O tiro poderia pegar também em outros pacientes. Gente, foi um terror nesse PSM da 14”, relatou.
A denunciante também voltou a cobrar providências dos órgãos responsáveis e destacou que alertas já haviam sido feitos anteriormente. “Isso por falta de acompanhamento melhor, de uma supervisão de Enfermagem melhor, supervisão clínica. No final de semana, o hospital fica lotado, a gente vem avisando, a Associação (dos servdores) vem trazendo essa demanda para as coordenações, para o Ministério Público. Então, que a Sesma possa tomar providências cabíveis. Nós precisamos de segurança no hospital, de segurança de Polícia. A Guarda Municipal, ela não está treinada suficientemente para poder atender essa demanda, porque diariamente o Pronto Socorro recebe esses assaltantes no hospital onde é preciso fazer cuidados de enfermagem, onde é preciso fazer exames, e a Polícia precisa estar. Então, houve uma grande falha hoje na segurança”, enfatizou.
Segundo o depoimento, o impacto emocional atingiu profissionais e pacientes, alguns dos quais passaram mal durante o ocorrido. “Isso não pode mais acontecer. Foi um terror. A enfermeira da Classificação de Risco ficou muito abalada, a enfermeira Bombom, sem contar os outros pacientes, porque muitos passaram mal e tiveram que ficar dentro do banheiro. Gente, muito triste o que aconteceu aqui no Pronto Socorro nesse momento. Que a gestão tome providências cabíveis, que a Sesma tome providências cabíveis”, concluiu.