• 31 de dezembro de 2025

Quando a torcida empurra, o caixa agradece: Remo disputa a série A em 2026 embalado pela paixão azulina e o cofre cheio

Reprodução/Redes Sociais

O Clube do Remo vive um de seus capítulos mais emblemáticos. O acesso à Série A do Campeonato Brasileiro não representou apenas uma conquista esportiva histórica, mas também o reflexo de um ciclo de crescimento financeiro impulsionado por arquibancadas lotadas e engajamento popular, transformando apoio em receita.

Com o Leão, a região Norte volta a ter um time na elite do futebol brasileiro depois de 21 anos. E o Remo será estreante na disputa por pontos corridos, pois nunca esteve na primeira divisão no atual modelo, adotado em 2003 pela CBF. A equipe azulina está longe da série A desde 1994, vai fazer 32 anos. Há poucos anos, em 2015, o Leão estava adormecido na série D.

Força da torcida

Na recente campanha do acesso para a série A, o Remo liderou a arrecadação de bilheteria da Série B, somando cerca de R$ 12,6 milhões em renda bruta nos jogos como mandante, com média de R$ 704 mil por partida, a maior da competição, resultado da força da torcida no Baenão e no Mangueirão.

Além disso, o clube fechou a Série B de 2025 como maior arrecadador geral do torneio, com R$ 15,8 milhões em bilheteria e mais de 367 mil torcedores registrados nos estádios, ficando entre os 15 clubes com maior arrecadação no Brasil em 2025.

Esse desempenho coloca o Remo à frente de times com maior orçamento e tradição fora de campo, evidenciando que os torcedores voltaram a empurrar o “fenômeno azul” e o caixa de forma sincronizada. Em partidas decisivas, como o jogo contra o Goiás, o clube registrou público recorde de mais de 47 mil torcedores e renda bruta de R$ 3,1 milhões, gerando cerca de R$ 2,9 milhões em renda líquida após descontos. É um marco histórico para um clube do Norte do país.

O desempenho financeiro não ficou restrito às bilheterias. O fortalecimento do programa de sócio‑torcedor, licenciamentos, ações de marketing e patrocínios declarados contribuíram com receitas valiosas, ampliando a base de apoio e fidelização da marca Remo. Com o retorno à Série A, a perspectiva é de um salto ainda mais significativo nas receitas, impulsionado por direitos de transmissão, premiações maiores e maior poder de negociação comercial — uma combinação que pode alavancar o clube a um novo patamar de sustentabilidade.

Dívida real

Apesar dos bons índices de arrecadação, o Remo ainda convive com desafios herdados de gestões anteriores. O balanço financeiro de 2024 revelou um déficit orçamentário superior a R$ 13 milhões no exercício, uma diferença entre o previsto e o realizado ao longo do ano, algo que a diretoria definiu como resultado da realidade de disputar a Série C e não necessariamente dívida direta acumulada. 

O mesmo balanço aponta um passivo total de cerca de R$ 28 milhões, incluindo obrigações trabalhistas e tributárias, demonstrando que existem compromissos financeiros que ainda exigem atenção e gerenciamento contínuo.

Em determinados momentos da temporada, pendências judiciais chegaram a determinar bloqueios de parte das rendas de jogos, inclusive em partidas de grande apelo, alertando a administração de que o sucesso esportivo precisa caminhar juntamente com responsabilidade financeira. Ainda assim, a atual gestão conseguiu desbloquear recursos retidos na Justiça do Trabalho, reduzindo impactos imediatos no fluxo de caixa e dando espaço para operações do dia a dia.

Passo firme

O Remo chega à elite em um ponto de inflexão. Na matemática do futebol brasileiro, a série A oferece visibilidade, receitas maiores e oportunidades únicas, mas também exige organização, planejamento e responsabilidade para não repetir erros do passado. Transformar a euforia do acesso em sustentabilidade a longo prazo é o principal desafio dos próximos meses. 

Como diria o folclórico Neném Prancha, com aquele toque de sabedoria que ecoa nas arquibancadas: “Quem se desloca recebe, quem pede tem preferência”. O Leão voltou a se movimentar, dentro e fora de campo, saiu da inércia e ocupou espaço no cenário nacional. Se mantiver o passo firme, o Remo não só celebrará o retorno à Série A, mas poderá consolidar um novo tempo de estabilidade e protagonismo na história do futebol brasileiro.

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