• 12 de março de 2026

Pará já tem cerca de 100 mil idosos com mais de 80 anos e número pode triplicar até 2060

Reprodução: Ascom/Sesma

O envelhecimento da população brasileira já se reflete nas ruas de Belém e nas cidades do Pará. Dados do Censo 2022 indicam que o estado tem hoje cerca de 100 mil moradores com 80 anos ou mais, faixa etária conhecida como “quarta idade”. Esta faixa é hoje a que mais cresce no Brasil. A tendência é de expansão acelerada nas próximas décadas, trazendo desafios para saúde pública, previdência, segurança e organização das famílias.

O aumento da longevidade vem transformando a estrutura demográfica brasileira. No Pará, essa mudança já começa a ganhar dimensão relevante. Com população total de 8,1 milhões de habitantes, o estado possui cerca de 878 mil pessoas com 60 anos ou mais, segundo dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Dentro desse grupo, estima-se que entre 95 mil e 105 mil paraenses já tenham 80 anos ou mais. Esse contingente ainda representa uma pequena parcela da população, em torno de 1,2%, mas cresce de forma constante.

Belém envelhece

Na capital paraense, o envelhecimento também se torna mais visível. Belém, com 1,3 milhão de habitantes, concentra aproximadamente 165 mil pessoas com 60 anos ou mais. Dentro desse universo, estimativas baseadas na estrutura etária do Censo indicam que entre 18 mil e 22 mil moradores da cidade já ultrapassaram os 80 anos.

A capital tende a concentrar uma parcela maior de idosos longevos por oferecer mais acesso a hospitais, serviços especializados e redes de apoio.

O fenômeno paraense acompanha uma tendência nacional. No Brasil, o Censo 2022 identificou cerca de 4,6 milhões de pessoas com 80 anos ou mais. Esse grupo é o que cresce mais rapidamente na pirâmide etária do país, impulsionado pela queda na taxa de natalidade e pelo aumento da expectativa de vida.

Projeções demográficas indicam que o processo tende a se intensificar. Estudos baseados nas estimativas populacionais apontam que o Brasil poderá ter mais de 19 milhões de pessoas nessa faixa etária até 2060. No Pará, o próprio IBGE estima que o número de idosos com mais de 80 anos poderá mais que dobrar nas próximas décadas, chegando possivelmente a cerca de 250 mil pessoas até 2050.

Vulnerabilidades

Esse cenário traz desafios importantes para o poder público e para a sociedade. Na área da saúde, o avanço da idade aumenta a incidência de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, problemas cardiovasculares e demências, o que exige maior oferta de atendimento geriátrico, reabilitação e cuidados de longa duração.

Outra preocupação envolve a previdência. Com mais pessoas vivendo por mais tempo, cresce também o número de beneficiários de aposentadorias e pensões, ampliando a pressão sobre o sistema previdenciário.

Dentro das famílias, a mudança demográfica também altera rotinas. Cada vez mais filhos e netos assumem o papel de cuidadores de parentes muito idosos, muitas vezes conciliando trabalho e responsabilidades domésticas. Em regiões onde os serviços de cuidado especializado ainda são escassos, esse desafio se torna ainda maior.

Também aumenta proporcionalmente a preocupação com a segurança desse grupo, principalmente na Região Metropolitana de Belém. Dados do Disque 100, da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, mostram que as denúncias de violência contra idosos no estado passaram de 1.520 registros em 2020 para 2.811 em 2024, quase dobrando em quatro anos. Apenas entre janeiro e maio de 2025 já haviam sido contabilizadas 1.229 ocorrências.

Em Belém, episódios recentes evidenciam essa vulnerabilidade: em janeiro deste ano, um idoso foi agredido no terminal rodoviário da capital após um desentendimento e sofreu fratura no fêmur depois de ser atacado pelas costas, caso que repercutiu e foi investigado pela polícia. Situações como essa reforçam o desafio de garantir proteção a uma população que cresce rapidamente e que, muitas vezes, enfrenta violência física, psicológica ou financeira justamente no momento da vida em que precisa de mais cuidado.

Questões de mobilidade urbana também entram no debate. Idosos muito longevos estão mais vulneráveis a quedas, além de enfrentarem dificuldades em ambientes urbanos pouco adaptados.

O avanço da “quarta idade” revela, ao mesmo tempo, uma conquista e um desafio. Viver mais é resultado de avanços na medicina, na alimentação e nas condições de vida. O grande teste agora será garantir que esses anos adicionais sejam vividos com autonomia, segurança e dignidade. Uma realidade que, definitivamente, já começa a bater à porta das famílias paraenses.

Onde buscar atendimento e apoio para idosos em Belém?

1. Casa do Idoso (Sesma)

Unidade municipal especializada no atendimento de pessoas com 60 anos ou mais. Oferece consultas em diversas especialidades médicas, como geriatria, cardiologia e neurologia, além de fisioterapia, psicologia, nutrição, assistência social e exames laboratoriais. O acesso é feito por encaminhamento das Unidades Básicas de Saúde.

2. Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR)

Referência estadual em reabilitação física e auditiva. Oferece consultas médicas, exames, terapias, entrega de órteses e próteses, além de atividades esportivas adaptadas e acompanhamento social para pessoas idosas em processo de reabilitação.

3. Centro de Convivência da Terceira Idade Zoé Gueiros

Espaço municipal voltado à convivência e à promoção do envelhecimento ativo. Os participantes têm acesso a atividades físicas, oficinas culturais, dança, artesanato, recreação e exercícios de estímulo à memória. O encaminhamento é feito pelos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS).

4. Centros de Referência de Assistência Social (CRAS)

As unidades do CRAS funcionam como porta de entrada para diversos serviços sociais. Oferecem orientação sobre direitos, atualização no Cadastro Único e participação no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, que inclui atividades para idosos.

5. Programas e ações de cidadania

Órgãos públicos e instituições realizam periodicamente ações voltadas ao público idoso, com serviços gratuitos de saúde, orientação jurídica, emissão de documentos e atividades de bem-estar, ampliando o acesso à rede de proteção social.

6. São direitos da pessoa idosa:

Atendimento preferencial em serviços públicos e privados.

Gratuidade ou desconto em transporte público.

Benefício de Prestação Continuada (BPC) para idosos de baixa renda.

Prioridade em processos judiciais.

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