• 23 de julho de 2025

MPF-PA constata precariedade e falta de vagas em abrigos para pessoas em situação de rua em Belém

O Ministério Público Federal no Pará (MPF- PA) constatou, após vistorias realizadas na última sexta-feira (18), a grave insuficiência de vagas e a precariedade da estrutura nos abrigos destinados à população em situação de rua em de Belém. A fiscalização, que ocorre no contexto dos preparativos para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), revelou que a capital paraense possui apenas 40 vagas disponíveis para acolher essa população. Destas, apenas duas estão disponíveis.

Segundo o procurador regional dos Direitos do Cidadão no Pará, Sadi Machado, o número é muito baixo e “muito aquém do dever constitucional e legal do Poder Público de garantir os direitos dessa população”. As inspeções foram coordenadas pelo MPF em conjunto com o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e as Defensorias Públicas da União (DPU) e do Estado do Pará (DPE-PA).

As vistorias foram realizadas nas duas Casas Abrigos para Pessoas Adultas e Famílias em Situação de Rua (Camar): a Camar 1, que atende homens adultos, e a Camar 2, voltada para mulheres e famílias.

O membro da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) no estado, órgão do MPF para a defesa dos direitos humanos, destacou que a proximidade de um evento de porte internacional como a COP30 torna a situação ainda mais preocupante.

Situação precária dos abrigos visitados pelo MPF-PA em Belém. Imagem reprodução: MPF-PA.

“Este é um ano muito emblemático. É importante que os serviços públicos para a população em situação de rua estejam bem estruturados, justamente para garantir que essa população, que é bastante vulnerável, não seja desatendida e para que se evitem ações higienistas, vinculadas à remoção forçada das pessoas de seus espaços”, alertou.

Além do número reduzido de vagas, a inspeção revelou uma estrutura bastante precária em ambas as unidades. Entre os problemas identificados estão o acesso exclusivo por escadas, o que inviabiliza a acessibilidade das pessoas com deficiência, além da precariedade dos serviços oferecidos, carência de pessoal e necessidade de manutenção ou mesmo de reforma e ampliação desses espaços.

Processo judicial poderá ser adotado

Diante do cenário, a equipe da PRDC informou que sai da inspeção bastante preocupada e espera que o Poder Público adote as medidas necessárias para ampliar o número de vagas, aprimorar os serviços e qualificar os profissionais que atuam na área.

O procurador da República Sadi Machado foi enfático ao afirmar que, se as providências não forem tomadas, o órgão buscará a via judicial. “Se não forem adotadas as medidas adequadas, nós certamente vamos adotar medidas judiciais para obter decisões que obriguem o poder público a agir nesse sentido”, concluiu. 

*Com informações de Ministério Público Federal no Pará.

Relacionadas

Morre Gerardo Renault, pai de Ana Paula do BBB 26; sister não será informada sobre o falecimento

Morre Gerardo Renault, pai de Ana Paula do BBB…

LUTO Gerardo Henrique Machado Renault, pai de Ana Paula Renault, morreu aos 96 anos, dois dias antes da grande final do…
Prefeitura de Belém decreta emergência após temporal superar 150 mm em menos de 24 horas

Prefeitura de Belém decreta emergência após temporal superar 150…

A capital paraense entrou em estado de emergência neste domingo após registrar um volume severo de precipitações em curto período. A…
Delegação do Remo sofre ataques xenofóbicos em jogo contra o Bragantino

Delegação do Remo sofre ataques xenofóbicos em jogo contra…

A delegação do Clube do Remo foi alvo de ataques xenofóbicos proferidos por torcedores do Red Bull Bragantino durante o confronto…