• 27 de agosto de 2025

Medicamento injetável contra HIV começa a ser vendido no Brasil

Reprodução

O Brasil deu um passo importante na prevenção ao vírus do HIV com a chegada do Apretude, primeiro medicamento injetável de longa duração aprovado para uso em toda a América Latina. A novidade surge em meio a um cenário preocupante: só em 2023 foram registrados cerca de 46,5 mil novos casos da doença, segundo o Ministério da Saúde. Estimativas indicam ainda que, nos próximos dez anos, o país pode atingir a marca de 600 mil novos casos.

Desenvolvido pela farmacêutica GSK/ViiV Healthcare, o medicamento foi aprovado pela Anvisa em 2023 e começou a ser comercializado nesta segunda-feira (25). Ao contrário da profilaxia pré-exposição (PrEP) oral – que exige a ingestão diária de comprimidos -o Apretude é aplicado por injeção a cada dois meses, o que pode aumentar a adesão e garantir maior eficácia.

O preço inicial é de R$ 4.000, com distribuição feita pela Oncoprod para farmácias, clínicas e até entrega domiciliar. Por se tratar de uma aplicação intramuscular, o uso precisa ser feito por um profissional de saúde.

Avanço científico e impacto social

O Apretude tem como princípio ativo o cabotegravir, um antirretroviral que impede que o HIV se instale e se multiplique nas células. Para especialistas, a possibilidade de reduzir a frequência de uso representa não só mais conveniência, mas também um ganho em privacidade, já que elimina a necessidade de carregar comprimidos diariamente – algo que ainda expõe muitos pacientes ao preconceito.

“Esse é um marco gigantesco. Trabalhamos há décadas com HIV e agora temos o primeiro paciente que comprou a medicação no mercado privado. É um divisor de águas”, avalia o infectologista Roberto Zajdenverg, coordenador de prevenção da GSK.

Assim como a PrEP oral, o medicamento pode ser indicado para qualquer pessoa que se sinta em risco de exposição ao vírus, desde que apresente teste de HIV negativo feito até sete dias antes da aplicação. O uso é exclusivamente preventivo e não se destina a pessoas já diagnosticadas com o vírus.

Disponibilidade e negociações com o SUS

O Apretude está restrito à rede privada. A fabricante já iniciou conversas com o Ministério da Saúde para que o medicamento seja avaliado pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias), responsável por analisar novos tratamentos que podem ser incluídos no SUS. A submissão deve acontecer ainda este mês e passará por avaliação técnica, defesa pública e consulta popular antes de uma decisão final.

Estudos e segurança

O Brasil teve participação expressiva nos testes clínicos do medicamento, ao lado de países como Estados Unidos, França e Inglaterra. Os estudos apontam que os principais efeitos colaterais estão relacionados à dor no local da aplicação, além de eventuais episódios leves de náusea e diarreia.

“É uma medicação que já nasce com um padrão de segurança muito alto e com profissionais no Brasil que acumularam anos de experiência em sua aplicação durante os estudos clínicos”, reforça Zajdenverg.

Outro medicamento injetável em desenvolvimento para prevenção ao HIV é o lenacapavir, da farmacêutica Gilead Sciences. Com ação prolongada e custo significativamente mais elevado – duas doses podem chegar a US$ 44 mil – o remédio ainda não foi aprovado pela Anvisa.

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