- 24 de outubro de 2025
Mais uma operação flagra crimes ambientais no Pará: garimpo ilegal ainda é um motor de devastação na Amazônia
O garimpo ilegal em unidades protegidas, incluindo Unidades de Conservação, no Pará e outros estados da Amazônia, já devastou uma área de aproximadamente 13.484 hectares até 2025. Deste total, 1.512 hectares estão em áreas de Proteção Integral e 11.972 hectares em unidades de Uso Sustentável, conforme levantamento do Greenpeace Brasil.
Essa devastação envolve 15 Unidades de Conservação nos estados do Pará, Amazonas e Amapá, impactando fortemente ecossistemas e causando graves danos ambientais, como contaminação por mercúrio e perda da biodiversidade. A maior parte das áreas afetadas no Pará inclui Florestas Nacionais de Uso Sustentável como Amanã, Crepori, Altamira, e reservas ecológicas.
Operação
Os números só crescem. Na Operação Ouro de Sangue, encerrada na última quinta-feira (23/10), a Polícia Civil realizou incursões no Distrito de Monte Dourado, no município de Almeirim, dentro da Estação Ecológica do Jari, uma unidade de conservação federal. A operação visou desarticular estruturas de garimpos ilegais conhecidas como “Mamão” e “Porto Inajá”, que operavam com dragas, escavadeiras e pistas clandestinas, causando grande degradação ambiental e contaminação de rios por mercúrio.
Além da destruição de maquinário e estruturas de apoio logístico, foram apreendidas armas e munições. A ação integrou forças de segurança pública para combater crimes ambientais e violência relacionada à extração ilegal de ouro, e os resultados vão subsidiar novas fases da operação e medidas legais para responsabilização dos envolvidos.
Somente este ano, foram descobertos e desarticulados pelo menos oito garimpos ilegais em áreas de preservação no Pará. Em abril, uma operação desmantelou três pontos de garimpo ilegal dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós, em Itaituba. Em setembro, a Polícia Federal fechou cinco garimpos ilegais no município de Cachoeira do Piriá, região nordeste do Pará. Agora em outubro, a Operação Ouro e Sangue cumpriu o mesmo papel.
Nessas operações, os agentes públicos promoveram a destruição de maquinário pesado, acampamentos e outras estruturas, com uso de apoio aéreo e com o objetivo de combater a degradação ambiental, a contaminação de rios e o desmatamento em áreas protegidas do Pará.
Além de desmantelar as operações ilegais, a Operação Ouro de Sangue dá aos criminosos um prejuízo estimado de R$ 3,1 milhões.
Cerco aos ilegais
Várias operações marcaram a atuação das forças de segurança no combate ao garipo ilegal no Pará. Em novembro de 2024, na Terra Indígena Munduruku, agentes federais com apoio da Polícia Militar causaram um prejuízo estimado de R$ 32 milhões ao garimpo ilegal. A ação inutilizou máquinas e estruturas utilizadas na extração ilegal, tornando-a uma das mais impactantes do ano.
Um ano antes, em novembro de 2023, em Canaã dos Carajás, outra operação federal destruiu maquinário usado em garimpo avaliado em R$ 2,2 milhões. Em fevereiro de 2022, a Operação Caribe Amazônico destruiu atividades ilegais no Rio Tapajós, próximo à Terra Indígena Munduruku, inutilizando 21 escavadeiras.
Consequências
Os inúmeros garimpos ilegais localizados na Amazônia promovem a destruição de vastas áreas da floresta, desmatando e degradando ecossistemas essenciais. É como nessas áreas o uso do mercúrio que ajuda na extração do ouro mas contamina rios e fontes de águas, prejudicando não apenas a floresta como também a saúde das pessoas envolvidas nas atividades ou moradores próximos.
O garimpo ilegal também é um antro de violência e afeta, às vezes de forma insuperável, a biodiversidade local. Destrói áreas que servem de hábitat para algumas espécies, ameaça a fauna e a flora e impede a dispersão de novas sementes, condenando vastos territórios à morte.
As espécies locais mais vulneráveis a essa destruição são mamíferos como macacos, pacas, cotias, tatus e capivaras.