• 23 de setembro de 2025

Lula discursa na ONU e fala de democracia, soberania, COP30, fome e guerra em Gaza

Angela Weiss/AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu nesta terça-feira (23) a 79ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, com um discurso marcado por críticas às sanções unilaterais dos Estados Unidos, defesa da soberania brasileira, combate ao autoritarismo e apelo global contra a fome. No plenário, Lula e Donald Trump se cumprimentaram em 30 segundos, entre o discurso de um e outro e articulam um encontro entre os dois, na semana que vem.

Críticas às sanções e defesa da soberania

Lula afirmou que o multilateralismo vive uma crise de legitimidade diante de intervenções unilaterais e “sanções arbitrárias”. Sem citar diretamente Trump, o presidente condenou as medidas impostas pelos EUA contra o Brasil, como a tarifa de 50% sobre produtos nacionais e as retaliações ao Judiciário.

“O multilateralismo está diante de nova encruzilhada. A autoridade da ONU está em xeque. Assistimos à consolidação de uma desordem internacional marcada por atentados à soberania e sanções arbitrárias”, disse.

Ele chamou de “inaceitável” a ingerência nos assuntos internos do país, destacando o bloqueio de bens e a suspensão de vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

“A agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável. Não há justificativa para medidas unilaterais e arbitrárias direcionadas ao Brasil.”

Democracia sob ataque

O presidente também relacionou a crise do multilateralismo ao avanço do autoritarismo em diferentes países:

“Em todo o mundo, forças antidemocráticas tentam subjugar as instituições e sufocar as liberdades. Cultuam a violência, exaltam a ignorância, atuam como milícias físicas e digitais e cerceiam a imprensa.”

Lula ressaltou que, diante desses ataques, o Brasil reafirma seu compromisso com a democracia. Ele citou a recente condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe e outros crimes:

“Pela primeira vez em 525 anos, um ex-chefe de Estado brasileiro foi responsabilizado por atentar contra a democracia. Teve amplo direito de defesa. Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis.”

Pobreza e fome como ameaças globais

Lula destacou que a desigualdade social enfraquece a democracia tanto quanto o extremismo político:

“A democracia falha quando as mulheres ganham menos que os homens ou morrem pelas mãos de parceiros e familiares. Ela perde quando fecha suas portas e culpa migrantes pelas mazelas do mundo.”

O presidente lembrou que o Brasil voltou a sair do mapa da fome em 2025, mas alertou que 670 milhões de pessoas ainda passam fome no planeta e 2,3 bilhões enfrentam insegurança alimentar.

“A única guerra em que todos podem sair vencedores é a travada contra a fome e a pobreza.”

Ele citou a Aliança Global contra a Fome, lançada no G20, já apoiada por 103 países, e defendeu menos gastos com guerras e mais investimentos em desenvolvimento social.

COP30 e compromissos internacionais

Lula reforçou o compromisso do Brasil com a pauta climática e destacou que Belém sediará a COP30 em 2025, apresentando a Amazônia como símbolo de soberania ambiental e oportunidade de cooperação internacional. Lula disse que a COP30 em Belém será a COP da verdade.

Cumprimento com Trump e encontro marcado

Em meio às tensões diplomáticas, o plenário registrou um momento simbólico: Lula e Donald Trump se cumprimentaram brevemente após Lula discursar e antes de Trump subir à plenária para discursar. Ambos devem se reunir oficialmente na próxima semana, em agenda bilateral, mas ainda não se sabe como se dará este encontro.

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