• 7 de abril de 2026

‘Lista suja’ do trabalho escravo cita nomes como Amado Batista e a montadora BYD; Pará tem 7 casos

Divulgação

O Pará registrou 7 empregadores incluídos na atualização mais recente da “lista suja” do trabalho escravo, divulgada pelo governo federal. Embora distante dos estados líderes, o dado reforça um padrão histórico: o estado aparece de forma recorrente no cadastro, especialmente em atividades rurais. No total, a nova lista acrescentou 159 nomes de todo o país.

Na comparação nacional, o Pará fica atrás de estados como Minas Gerais (33 casos), São Paulo (19), Mato Grosso do Sul (13) e Bahia (12), que concentram o maior número de ocorrências nesta edição. Mesmo assim, a presença paraense é constante, um indicativo de que o problema permanece enraizado em regiões de expansão econômica.

Os dados também revelam um padrão claro nos tipos de exploração. No Brasil, os casos mais frequentes envolvem a criação de bovinos, responsável pelo maior número de registros, seguida por trabalho doméstico, cultivo agrícola (como café) e construção civil. No recorte do Pará, esse perfil se concentra sobretudo no meio rural, com destaque para pecuária, carvoarias e atividades ligadas ao avanço da fronteira agrícola.

Problema estrutural

Em muitas dessas ocorrências, trabalhadores são encontrados em condições degradantes: alojamentos improvisados, falta de água potável e alimentação precária, além de jornadas exaustivas e, em alguns casos, restrição de liberdade. Todos esse elementos caracterizam o trabalho análogo à escravidão, segundo a legislação brasileira.

Historicamente, o Pará nunca liderou o ranking nacional, mas mantém presença contínua na lista. Em diferentes atualizações ao longo da última década, o estado costuma registrar entre 5% e 8% dos casos, com picos pontuais em momentos de maior expansão econômica e pressão sobre áreas rurais. Esse comportamento indica que o problema é estrutural.

Entre 2020 e 2025, por exemplo, as fiscalizações que embasaram a lista resultaram no resgate de 1.530 trabalhadores em todo o país. Este número ajuda a dimensionar a gravidade do cenário e reforça o papel da “lista suja” como instrumento de transparência e pressão econômica, já que empresas incluídas passam a enfrentar restrições comerciais e de crédito.

Famosos na lista

A atualização da lista também ganhou repercussão ao incluir nomes conhecidos, como o cantor Amado Batista e a montadora BYD, ampliando o debate sobre responsabilidade trabalhista em diferentes setores. A BYD foi incluída na Lista Suja por ser considerada diretamente responsável pela submissão de 163 trabalhadores chineses a condições análogas à escravidão durante a construção de sua fábrica em Camaçari, na Bahia. O número foi identificado na primeira operação de fiscalização, realizada por uma força-tarefa em dezembro de 2024. Posteriormente, com o avanço das apurações, o total de trabalhadores resgatados chegou a 224.

Contratos analisados pela fiscalização previam jornada de dez horas por dia, seis dias por semana, com possibilidade de extensão, o que levaria a uma jornada semanal de 60 a 70 horas, muito maior do que o limite legal no Brasil de 44 horas. Também foram constatadas condições degradantes nos alojamentos. Um deles contava com um único vaso sanitário para 31 trabalhadores. Segundo a fiscalização, muitos dormiam sem colchões. Também não havia armários: os alimentos se misturavam a roupas e pertences pessoais, criando um ambiente insalubre.

No caso do Pará, o enfrentamento exige mais fiscalização e regularização fundiária, além da geração de alternativas econômicas para esses trabalhadores. Sem isso, a repetição dos casos tende a acompanhar o próprio avanço da atividade produtiva.

A permanência do nosso estado na lista, ainda que com números menores que os líderes, revela um problema persistente. E demonstra que o crescimento econômico na região continua sendo sustentado por relações de trabalho com nódoas marcantes de um passado sinistro que remete à escravidão, um dos piores capítulos na história da humanidade.

Amado Batista

Conforme a lista, 14 pessoas estariam sob responsabilidade de Amado Batista e foram resgatadas. Dados do governo federal apontam que houve resgate de quatro trabalhadores na área arrendada pelo cantor. E na área de sua propriedade, não houve resgate, mas a autuação do cantor por trabalho escravo de outras dez pessoas, uma vez que a caracterização do crime ocorreu após a fiscalização com a análise dos depoimentos tomados e documentos obtidos.

O cantor Amado Batista também ingressou no cadastro do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) por ter submetido, segundo o órgão, 14 trabalhadores a condições análogas à escravidão em dois sítios em Goiás.

Porém, a defesa do cantor afirma que não houve resgate de trabalhadores e que as irregularidades apontadas nas duas propriedades, localizadas em Goianápolis, na Região Metropolitana de Goiânia, foram corrigidas.

Segundo o Governo Federal, 14 funcionários teriam sido submetidos a condições análogas à escravidão, sendo 10 no Sítio Esperança e quatro no Sítio Recanto da Mata, ambas as fazendas estão situadas na BR-060, zona rural da cidade. As ações de fiscalização foram realizadas em 2024.

O advogado de Amado, Mauricio Carvalho explicou ao site G1, a situação do Sítio Recanto da Mata, fazenda “arrendada” pelo cantor para o plantio de milho. “Foram identificadas irregularidades na contratação de quatro colaboradores que eram empregados de uma empresa terceirizada que fora contratada para fazer a abertura da área de plantio. Não houve resgate de nenhum trabalhador nas propriedades. Todos os funcionários continuam trabalhando na propriedade normalmente”, afirmou.

De acordo com Mauricio, após a fiscalização em 2024, foi assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT), no qual “todas as obrigações dos colaboradores foram integralmente pagas e quitadas”.

Sobre o Sítio Esperança, utilizado para criação de bovinos para leite, a defesa frisou que foram identificados correções que deveriam ser feitas em relação à moradia e áreas de convivência. Segundo o advogado, as obras já foram feitas e finalizadas.

Relacionadas

Morre Gerardo Renault, pai de Ana Paula do BBB 26; sister não será informada sobre o falecimento

Morre Gerardo Renault, pai de Ana Paula do BBB…

LUTO Gerardo Henrique Machado Renault, pai de Ana Paula Renault, morreu aos 96 anos, dois dias antes da grande final do…
Prefeitura de Belém decreta emergência após temporal superar 150 mm em menos de 24 horas

Prefeitura de Belém decreta emergência após temporal superar 150…

A capital paraense entrou em estado de emergência neste domingo após registrar um volume severo de precipitações em curto período. A…
Delegação do Remo sofre ataques xenofóbicos em jogo contra o Bragantino

Delegação do Remo sofre ataques xenofóbicos em jogo contra…

A delegação do Clube do Remo foi alvo de ataques xenofóbicos proferidos por torcedores do Red Bull Bragantino durante o confronto…