• 29 de novembro de 2025

Espaço aéreo da Venezuela é fechado, diz Trump nas redes sociais

Reprodução: Reuters/Carlos Barria

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste sábado (29) que companhias aéreas devem considerar o espaço aéreo da Venezuela “fechado”, intensificando o clima de tensão militar e diplomática entre os dois países e sinalizando possível ação iminente dos EUA contra o governo de Nicolás Maduro.

A fala de Trump amplia o alerta emitido em 21 de novembro pela Administração Federal de Aviação (FAA), que já recomendava cautela no sobrevoo do território venezuelano devido ao “agravamento da situação de segurança” e ao aumento da atividade militar na região. No entanto, segundo especialistas, o termo “espaço aéreo fechado” não havia sido usado anteriormente pelo governo americano.

A orientação levou diversas companhias aéreas a suspender rotas que cruzavam o país ou tinham Caracas como destino. Em resposta, o governo venezuelano revogou a licença de ao menos seis companhias — entre elas TAP, Avianca, Turkish Airlines e a brasileira Gol — acusando-as de aderirem ao que chamou de “terrorismo de Estado” promovido pelos EUA. As empresas receberam prazo de 48 horas para retomarem as operações.

Aumento da presença militar e ameaça de operações terrestres

Na quinta-feira (27), Trump afirmou que ofensivas terrestres contra o narcotráfico na Venezuela devem começar “muito em breve”, sem detalhar como ocorreriam. Segundo ele, os EUA buscam impedir o transporte de drogas não apenas por mar, mas também por terra, considerado “mais fácil”.

Desde agosto, forças americanas já atacaram 21 embarcações no Mar do Caribe e no Pacífico, deixando 83 mortos segundo o New York Times. Washington afirma que as ações miram organizações ligadas ao tráfico internacional.

Acusações e possível ação militar

O governo Trump classifica Nicolás Maduro como líder do suposto “Cartel de los Soles”, tratado como organização narcoterrorista. A designação, prestes a entrar em vigor pelo Departamento de Estado, tem servido de justificativa para a ampliação da presença militar americana no sul do Caribe, com envio de navios de guerra, um submarino nuclear, caças, bombardeiros e helicópteros.

O New York Times revelou ainda que Trump e Maduro conversaram por telefone nos dias 22 e 23 de novembro, com participação do secretário de Estado, Marco Rubio. O jornal afirma que foram discutidas possibilidades de negociação, inclusive um eventual encontro, mas nada foi confirmado oficialmente.

A mesma reportagem destaca que Trump tem em mãos diversas possibilidades de ação, incluindo ataques a autoridades venezuelanas e medidas para assumir o controle do petróleo do país.

Maduro busca saída negociada, diz revista

Já a revista The Atlantic publicou que Maduro estaria cogitando deixar o poder caso receba anistia e garantias para viver em exílio seguro. A Rússia, aliada estratégica da Venezuela, declarou que está pronta para apoiar Caracas diante do aumento da pressão americana.

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