• 10 de fevereiro de 2026

Denunciado por importunação sexual, ministro envia carta ao STJ alegando inocência e pede licença de 90 dias

Reprodução: José Alberto/STJ

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi, de 68 anos, apresentou, nesta terça-feira (10), atestado de uma psiquiatra solicitando licença médica por 90 dias, conforme apurado pela TV Globo. A assessoria do STJ afirmou que só deve se manifestar após a reunião extra convocada para a manhã desta terça-feira. A sessão deve tratar sobre as denúncias de importunação sexual feitas contra Buzzi, que nega as acusações.

Nesta segunda-feira, o ministro enviou aos demais colegas uma carta em que nega as denúncias. “Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência. Creio que nos procedimentos já instauradas demonstrarei minha inocência”, afirma Buzzi.

Buzzi está sendo investigado por importunação sexual após ser acusado por uma jovem de 18 anos.

Marco Aurélio Gastaldi Buzzi é ministro do STJ desde setembro de 2011. Ele foi nomeado para ocupar a vaga deixada pelo ex-ministro Paulo Medina, que teve sua aposentadoria compulsória decretada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Natural de Timbó, em Santa Catarina, Buzzi é mestre em Ciência Jurídica, com especialização em Gestão e Controle do Setor Público, Direito do Consumo e em Instituições Jurídico-Políticas.

A carta do ministro:

Caros colegas,

Muito impactado com as notícias veiculadas e também por me encontrar internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional, até o momento estive calado. De modo informal soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repudio. Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência. Creio que nos procedimentos já instauradas demonstrarei minha inocência. Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou três filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado. Jamais adotei conduta que envergonhasse a família ou maculasse a magistratura. Esse histórico não é invocado como prova de inocência, mas como elemento relevante de coerência biográfica, o que clama por cautela redobrada na apreciação das graves acusações. Sem ainda compreender as razões das imputações feitas, lamento todo esse grande sofrimento e também desgaste da nossa Corte, revelando que estou submetido a dor, angústia e exposição que ninguém desejaria vivenciar. De consciência tranquila, mas alma muitíssimo agitada, ante a prematura divulgação de informações, agradeço aqueles que me franquearam o benefício da dúvida. Confio que, por meio de apuração técnica e imparcial, os fatos serão plenamente esclarecidos.”

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