- 31 de março de 2026
Crise no transporte: ônibus com ar-condicionado são apreendidos em Belém por falta de pagamento
14 ônibus do tipo “geladão”, que integram o sistema de transporte coletivo de Belém, foram apreendidos após decisão da instituição financeira responsável pelo financiamento da frota. Os veículos pertencem às empresas Auto Viação Monte Cristo, com 12 unidades, e Transportes Canadá, com 2, segundo informou o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém.
De acordo com o sindicato, a apreensão ocorreu devido à incapacidade das empresas de cumprirem os compromissos financeiros assumidos na aquisição dos ônibus. A entidade atribui o problema ao desequilíbrio econômico-financeiro do sistema de transporte na capital e na Região Metropolitana, apontando que a tarifa pública atual não acompanhou a planilha técnica aprovada pelo Conselho Municipal de Transporte em 2025, mesmo após acordo judicial firmado com o poder público.
Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém informou que acompanha a retirada de 12 veículos da empresa Monte Cristo, ocorrida na última quinta-feira (26), e que acionou uma nova empresa para operação emergencial nas linhas afetadas, como CDP/Providência, Pedreira/Lomas A, Pedreira/Nazaré e UFPA/José Malcher.
O Setransbel também destacou que o acordo firmado previa a remuneração necessária para viabilizar a renovação da frota, que resultou na aquisição de cerca de 300 ônibus com ar-condicionado. Outro fator citado foi o aumento do custo do diesel, que pode representar até 40% das despesas operacionais, impactando diretamente a capacidade de pagamento dos financiamentos. A entidade alerta que outras empresas podem enfrentar medidas semelhantes.
Nas redes sociais, o ex-prefeito Edmilson Rodrigues criticou a atual gestão de Igor Normando e cobrou transparência sobre o acordo firmado em 2023. Segundo ele, o compromisso previa a compra de 300 novos ônibus em troca de benefícios fiscais, como a isenção de ISS e redução do ICMS sobre o diesel. O ex-gestor questionou quantos veículos estão efetivamente em circulação e cobrou esclarecimentos sobre a aplicação dos recursos públicos e a manutenção do serviço gratuito aos domingos.