- 17 de abril de 2026
De família de oficiais e especialista em finanças e logística: saiba quem é a primeira mulher chefe da PM de SP em quase 200 anos
Nomeada comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo nesta quinta-feira (16), a coronel Glauce Anselmo Cavalli, de 50 anos, é vista entre colegas e subordinados como uma oficial estudiosa, especialista em finanças e logística, além de lidar bem com subalternos e superiores. Trata-se da primeira mulher a assumir o controle da corporação quase 200 anos depois da sua criação, em 1831. Ela entra no lugar do também coronel José Augusto Coutinho, que estava à frente da PM desde maio do ano passado.
– A coronel Glauce construiu uma trajetória sólida na Polícia Militar, com formação de excelência, liderança reconhecida e ampla experiência em funções operacionais, estratégicas e de gestão. Foi destaque desde a formação e seguiu acumulando responsabilidades ao longo da carreira, sempre com alto nível técnico. É uma oficial extremamente preparada para comandar a maior tropa policial do país. Sua nomeação representa um marco histórico para a PM de São Paulo, que tem pela primeira vez uma mulher no comando, e é também um avanço importante para a ampliação da presença feminina nos cargos de liderança do Estado–, afirmou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), responsável pela nomeação, em nota.
Formada em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul e em Educação Física pela Escola de Educação Física da PM, a oficial é mestre e doutora em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública. Ela entrou na polícia em 1997, após se formar na Academia de Polícia Militar do Barro Branco.
A nova chefe da PM estava até então na diretoria de logística da polícia. Antes disso, atuou no Comando do Policiamento de Área Metropolitana 2 (CPA/M-2), responsável por três batalhões na Zona Sul. Cavalli também chefiou a Coordenadoria de Assuntos Jurídicos do Comando-Geral e o Centro de Comunicação Social da PM, entre outras funções.
– Não trabalhamos diretamente, mas para você ter uma ideia da minha admiração por ela, quando eu saí da comunicação da PM eu a indiquei para ficar no meu lugar. Ela ficou lá até precisarem dela na diretoria de logística, que é uma área muito técnica e para a qual a Glauce também é habilitada. Minha confiança nela é tão grande que foi a pessoa que eu escolhi pra ficar no meu lugar – afirma o também coronel Emerson Massera.
A coronel Glauce chega ao comando da PM em um momento de aumento de casos de violência contra a mulher, incluindo dentro da corporação, como no episódio da soldado Gisele Alves Santana. Ela foi encontada morta em seu apartamento em fevereiro deste ano e o caso a princípio foi registrado como suicídio. No mês passado, seu marido, o tenente-coronel Geraldo Neto, foi preso, acusado de ser o autor da morte de Gisele. Ele nega.
– O nome dela veio cair bem nesse momento. Porque a gente aqui, pela Secretaria da Segurança Pública, está na política de proteção. Ela é uma coronel com 50 anos de idade, uma coronel que tem uma história de convivência bem bacana, é uma pessoa bastante humanizada. Então, na sua trajetória, ela é respeitada dentro da polícia (…) É um momento importante de renovação, de a gente poder enxergar uma polícia do futuro. Quando você olha pra trás, você fala assim: “Poxa, há quase 200 anos nunca teve uma mulher pra se comandar a instituição”. Então eu vi [a chegada da coronel] com bons olhos, afirma o também coronel Henguel Ricardo Pereira, secretário executivo da Segurança Pública de São Paulo.
O vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo, oficial da reserva, conheceu a nova chefe da PM durante um curso, no início dos anos 2000, e conhece sua família.
– Eu conheço a família dela, o marido é um grande amigo meu. Ele sofreu um acidente, ficou tetraplégico, acabou indo para a reserva como capitão, e o pai dele foi comandante da Academia do Barro Branco. Então, assim, tem tradição aí na família deles (…). Fiz um curso com a Glauce há mais de 20 anos na USP, sobre fisiologia do exercício, ligado ao esporte. Ela é uma pessoa bem ligada nessa área de esporte e é muito bem preparada. Fiquei contente com a nomeação, apesar de ter ficado triste com a saída do [José Augusto] Coutinho, que tinha muito a dar no cargo de comandante-geral – afirma Mello.
Fonte: O Globo.