• 4 de novembro de 2025

Custodiados produzem mobiliário da Vila COP e ganham nova chance de reinserção social

Rodrigo Pinheiro/Agência Pará

As obras realizadas em Belém para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), vão além da infraestrutura urbana e de mobilidade. Um dos legados mais significativos do evento é o impacto humano gerado por iniciativas que unem trabalho, capacitação e reinserção social.

Há quatro meses, 25 Pessoas Privadas de Liberdade (PPLs), custodiadas na Unidade de Custódia e Reinserção do Coqueiro (UCRC), vêm confeccionando e montando cerca de 3 mil móveis que irão compor o mobiliário da Vila COP, espaço que vai abrigar delegações e lideranças internacionais durante a conferência.

A iniciativa integra o programa “Construindo Novas Histórias”, coordenado pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), e representa uma das ações de maior visibilidade na política de trabalho prisional do Pará.

Segundo o diretor de Trabalho e Produção da Seap, Belchior Machado, a presença das equipes em obras estruturantes para a COP30 demonstra o protagonismo e a importância do programa.

“Estamos em todas as obras que são basicamente estruturantes, não só para a COP, mas para a cidade de Belém em si e para o estado do Pará. Custodiados participaram também de projetos como o Porto de Outeiro e a Nova Doca”, destacou.

Desde 2019, o número de pessoas privadas de liberdade envolvidas em atividades laborais no sistema prisional paraense passou de 1.600 para 5 mil, resultado direto da política de reinserção e qualificação profissional conduzida pela secretaria. O trabalho garante remissão de pena, capacitação técnica e geração de renda.

“Mais de 600 custodiados estiveram presentes nessas obras estruturantes para Belém e para o Pará. O trabalho prisional contribui de forma direta para a reinserção social e para que essas pessoas possam recomeçar suas vidas com dignidade”, completou Machado.

As oficinas e capacitações incluem áreas como marcenaria, elétrica, hidráulica e pintura, além de serviços de limpeza e manutenção de espaços públicos. O aprendizado adquirido nas atividades abre portas para novas oportunidades após o cumprimento da pena.

O gerente de segurança da Seap, Lucas Pantoja, acompanha o grupo que atua na Vila COP e destaca o avanço técnico e pessoal dos participantes.

“Muitos chegaram sem saber nada sobre marcenaria ou montagem. A gente foi ensinando, e eles têm aprendido e se dedicado. É gratificante ver o empenho e a transformação de cada um ao longo do processo”, afirmou.

Mais do que uma contribuição às obras da COP30, o projeto simboliza a possibilidade de recomeço por meio do trabalho e da educação profissional, fortalecendo o legado social do evento para a capital paraense.

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