- 14 de abril de 2026
Corpos encontrados em barco à deriva no Pará seguem sem identificação dois anos após resgate, diz Itamaraty
A Polícia Federal segue investigando a identidade dos corpos encontrados em uma embarcação à deriva no litoral do Pará, dois anos após o resgate. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (13) pelo Ministério das Relações Exteriores.
De acordo com o Itamaraty, nenhuma das nove vítimas localizadas foi identificada até o momento. O governo brasileiro mantém diálogo com autoridades da Mauritânia para viabilizar a identificação.
“Informamos que a Polícia Federal segue empenhada no processo de identificação dos corpos encontrados em embarcação à deriva na costa do estado do Pará”, informou o ministério.
A embarcação foi localizada em 13 de abril de 2024 por pescadores na região da Ilha de Canelas, no litoral de Bragança, a cerca de 210 quilômetros de Belém. No interior do barco, foram encontrados corpos em avançado estado de decomposição.

Após a retirada da embarcação, a Polícia Federal indicou que as vítimas seriam imigrantes africanos. As investigações apontam que o barco saiu da Mauritânia com destino às Ilhas Canárias, na Espanha, e pode ter tido a rota alterada por correntes marítimas.
Segundo o Itamaraty, está em andamento uma articulação entre os governos para coleta de material biológico de familiares das possíveis vítimas. O objetivo é permitir a identificação por meio de exames genéticos.
A principal hipótese é de que os ocupantes tenham morrido durante a travessia, possivelmente por falta de alimentos e água. Foram encontrados nove corpos — oito dentro da embarcação e um no mar. No entanto, a quantidade de objetos localizados indica que o número de pessoas a bordo pode ter sido maior. Entre os itens recolhidos estavam 27 celulares e capas de chuva, que passaram por perícia.
Os corpos foram levados para Belém e sepultados em 25 de abril de 2024 no cemitério público São Jorge, sem identificação individual.
Em 2025, a superintendência da Polícia Federal informou que o inquérito sobre o caso havia sido concluído com sugestão de arquivamento. Questionados, a PF e o Itamaraty não detalharam se houve pedido de exumação dos corpos, nem divulgaram resultados das perícias realizadas nos objetos encontrados.