• 6 de fevereiro de 2026

Condenações por criação e venda ilegais de gado em Terra Indígena no Pará já totalizam R$ 18,4 milhões

Foto: Reprodução/Brasil de Fato

A Justiça Federal determinou o pagamento de R$ 18,4 milhões em indenizações e multas a não indígenas envolvidos em um esquema ilegal de grilagem de terras, criação e venda de gado dentro da Terra Indígena Apyterewa, no município de São Félix do Xingu, no sudeste do Pará. As decisões atendem a pedidos do Ministério Público Federal (MPF).

A sentença mais recente foi proferida nesta quinta-feira (5) e condena um dos réus ao pagamento de R$ 900 mil, referentes aos lucros obtidos com a exploração ilegal do território indígena, além de R$ 45 mil por danos morais coletivos causados ao povo Parakanã.

Desde o fim de 2023 e ao longo de 2024, o MPF ajuizou 112 ações judiciais relacionadas ao caso. Até o momento, a Justiça Federal já analisou 17 processos, resultando em condenações para ressarcimento de danos socioambientais. Em duas decisões, os réus também foram obrigados a prestar serviços à comunidade. As ações têm como base a investigação que originou o relatório “Boi Pirata: a pecuária ilegal na Terra Indígena Apyterewa”, elaborado pelo MPF a partir da análise de dados da cadeia de produção e comercialização de gado criado ou engordado ilegalmente na área.

O levantamento apontou que 86 fazendas instaladas de forma irregular movimentaram, entre 2012 e 2022, cerca de 48,8 mil bovinos para 414 imóveis rurais. Desse total, 47,2 mil animais foram destinados a propriedades fora da terra indígena e 678 seguiram diretamente para o abate. O lucro estimado com a atividade ilegal chega a R$ 130,9 milhões. Nas ações ajuizadas em 2023, o MPF solicitou R$ 115 milhões em indenizações para recuperação ambiental da área e proteção das comunidades indígenas. Já em 2024, as ações contra os principais compradores do gado pedem R$ 66 milhões por danos ambientais e morais coletivos aos Parakanã.

Além das ações judiciais, o MPF reforçou recomendações a frigoríficos para que deixem de adquirir gado de fazendas que não cumpram os critérios do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne Legal. O órgão também recomendou ao Banco Central, à Receita Federal e à Secretaria da Fazenda do Pará (Sefa) a suspensão de linhas de crédito, incentivos e benefícios fiscais aos envolvidos no esquema.

À Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), o MPF recomendou o cancelamento de registros de imóveis rurais sobrepostos à terra indígena e a interrupção de novos cadastros nessas áreas.

Em novembro de 2024, a Justiça Federal autorizou operações do MPF e da Polícia Federal para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro ligada à comercialização ilegal de gado. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em São Félix do Xingu, Parauapebas, Tucumã e Água Azul do Norte, além da quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico. Ao todo, R$ 17 milhões em bens de oito investigados foram bloqueados. As investigações seguem em andamento.

Relacionadas

Operação integrada desativa sete áreas de garimpo ilegal na divisa entre Pará e Amapá

Operação integrada desativa sete áreas de garimpo ilegal na…

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) prestou apoio logístico e operacional às forças de segurança estaduais…
Mergulho nas Maldivas: única sobrevivente desistiu de mergulhar minutos antes da tragédia que deixou cinco mortos

Mergulho nas Maldivas: única sobrevivente desistiu de mergulhar minutos…

Uma mulher, estudante da Universidade de Gênova, foi a única sobrevivente do grupo de mergulhadores vítimas de uma tragédia que deixou cinco…
UFPA abre cinco processos seletivos especiais com mais de 1,7 mil vagas em graduação

UFPA abre cinco processos seletivos especiais com mais de…

A Universidade Federal do Pará publicou nesta sexta-feira (15) cinco editais de processos seletivos especiais que somam mais de 1,7 mil…