• 13 de abril de 2026

Com alta de 50%, açaí deixa de ser acompanhamento para virar ‘evento’ no prato do paraense

Reprodução/Agência Pará

Em Belém, terra onde o açaí nasce praticamente no quintal, pagar R$ 46 por um litro da fruta é como pagar pedágio para entrar na própria casa. O paraense, que cresceu tomando açaí com farinha e peixe frito, ou no máximo com um tantinho de açúcar, hoje olha para a vasilha roxa com o mesmo respeito de quem encara um prato gourmet. Aprecia devagar, quase em silêncio, porque sabe que ali vai metade do orçamento do dia.

Com R$ 46, a matemática da sobrevivência só falta debochar da tradição. Dá pra levar um quilo de frango, arroz, feijão, macarrão, alguns legumes e ainda sobra troco pra cebola, formando a base de uma semana honesta. Já o açaí… Bom, o açaí vira um evento. Não é mais acompanhamento. Diz que virou protagonista, convidado especial, celebridade… 

E aí vem a pergunta inevitável: como é que o açaí ficou tão caro justamente na terra natal? A resposta não é simples, mas também não é misteriosa. Primeiro, tem a lei da oferta e da procura, só que com sotaque global. O açaí deixou de ser comida de beira de rio e virou febre internacional. Academias, influenciadores e endereços gourmets mundo afora descobriram o que o paraense sempre soube. Mano, o negócio é bom! Resultado? Exporta-se muito, e quanto mais se exporta, mais o preço sobe aqui também.

Tem ainda o custo do caminho. O fruto é colhido no interior, muitas vezes em áreas de difícil acesso. Barco, combustível, gelo, transporte, atravessadores, tudo isso entra no preço final. Quando chega à cidade, o litro já não é mais só fruto. Tem toda uma logística embutida… no preço final.

A entressafra também pesa. Quando a produção cai, o preço dispara como fogos do Círio na passagem da Santa. O consumidor, fiel como sempre, pode até reclamar, mas  continua comprando. Reduz a dose, às vezes xinga o vendedor, mas continua comprando.

É como se o açaí se revestisse da seguinte condição: é local na origem e global no preço. Enquanto isso, na cozinha, o arroz com feijão segue firme, democrático, resolvendo a vida sem fazer alarde.

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