• 31 de março de 2026

Após sete anos no poder, Helder deixa o governo do Pará e encabeça jornada do MDB rumo ao protagonismo nacional

Reprodução / Ag Pará - Arte: Cidade 091

O governador do Pará, Helder Barbalho, prepara a saída do cargo para disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026. O prazo fatal é no próximo dia 4 de abril. Com a desincompatibilização, quem assume o comando do Estado é a vice-governadora Hana Ghassan. A mudança encerra um ciclo político iniciado em 2019 e marcado por forte protagonismo regional, altos índices de aprovação e a consolidação de um grupo político que já atravessa gerações na política paraense.

Filho do senador e ex-governador Jader Barbalho, Helder chegou ao Palácio dos Despachos com uma trajetória já consolidada. Antes de governar o Pará, foi prefeito de Ananindeua duas vezes, deputado estadual, deputado federal e ministro da Integração Nacional no governo Michel Temer. Antes, já tinha sido ministro da Pesca e Aquicultura e ministro dos Portos, no governo Dilma Rousseff. Em 2018, venceu a eleição para o governo no segundo turno com 55,4% dos votos válidos.

Quatro anos depois, consolidou seu capital político ao ser reeleito ainda no primeiro turno, com cerca de 70% dos votos válidos, a maior votação proporcional já registrada para o cargo no estado desde a redemocratização, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral.

O primeiro mandato foi rapidamente atravessado por um dos maiores desafios de gestão: a pandemia de Covid-19. Em 2021, liderou a primeira vacinação contra covid 19, uma das primeiras campanhas dentre os estados do Brasil. A crise sanitária exigiu ampliação emergencial da rede hospitalar, abertura de leitos e reorganização da estrutura de saúde pública.

Dados da Agência Pará indicam que, ao longo dos dois mandatos, foram construídas ou ampliadas unidades hospitalares e fortalecida a rede regional de atendimento, com expansão de serviços especializados como hemodiálise e oncologia, além do reforço na atenção básica em municípios do interior.

Outro eixo central da gestão foi o investimento em infraestrutura. Balanços oficiais do governo estadual apontam que cerca de 1.500 quilômetros de rodovias foram recuperados ou construídos desde 2019, além de pontes, aeródromos regionais e mais de uma dezena de terminais hidroviários. O objetivo declarado foi reduzir o isolamento de regiões do estado e facilitar o escoamento da produção.

Nos últimos anos, a preparação de Belém para sediar a Conferência do Clima da ONU, a COP30, realizada em 2025, passou a concentrar parte importante da agenda do governo. Obras urbanas, intervenções de mobilidade, novos parques e projetos de requalificação de áreas históricas fazem parte do pacote de investimentos voltado à recepção do evento e à modernização da capital.

Na segurança pública, a gestão apostou no reforço do efetivo policial, aquisição de equipamentos e ampliação de bases operacionais. O governo também lançou programas sociais e iniciativas voltadas à bioeconomia e ao desenvolvimento regional, buscando associar crescimento econômico e preservação ambiental, tema que ganhou relevância internacional com a realização da COP na Amazônia.

Politicamente, Helder ampliou sua projeção nacional ao longo do segundo mandato. Chegou a ser citado nos bastidores como possível nome para compor a chapa presidencial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma eventual reeleição. Agora, deixa o governo dias antes do prazo fatal para a desincompatibilização de quem exerce mandato e vai disputar a eleição este ano, pronto para transformar a força política construída no Pará em protagonismo no cenário federal.

A sucessão imediata ficará com Hana Ghassan, economista que comandou a Secretaria de Planejamento antes de se tornar vice-governadora. A transição mantém o mesmo grupo político à frente do estado em um momento estratégico, marcado por grandes investimentos e pela visibilidade internacional que a Amazônia deve receber.

Ao deixar o Palácio dos Despachos depois de dois mandatos, Helder encerra um ciclo que mistura herança política, gestão de crise e ambição nacional. Mas, na política amazônica, ciclos raramente terminam de fato, muitas vezes apenas mudam de cenário. E Helder deverá trocar as águas às vezes agitadas da Baía do Guajará pelos corredores sempre turbulentos de Brasília.

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