• 31 de dezembro de 2025

A glória tem mais peso do que a crise no Paysandu! É tempo de reconstrução, com fé inabalável

Reprodução/Fernando Torres

O ano de 2025 ficará marcado como um dos mais desafiadores da centenária trajetória do Paysandu Sport Club. Em campo, a sequência de resultados irregulares e derrotas em momentos cruciais resultou no rebaixamento para a Série C do Campeonato Brasileiro. Um golpe duro para um clube acostumado às glórias e ao protagonismo nacional e regional. 

Para a preocupação dos bicolores, o clube convive com dívidas trabalhistas que ultrapassam R$ 13,5 milhões em ações na Justiça do Trabalho, somadas a multas e pendências que totalizam cerca de R$ 9,4 milhões, pressionando ainda mais as finanças.

A dificuldade financeira ficou ainda mais evidente nos prejuízos acumulados em 2024, na casa de R$ 18,8 milhões, conforme demonstrado nos balanços fiscais recentes do clube. Um reflexo da distância entre receitas e despesas que compromete a montagem de um elenco competitivo e a capacidade de honrar compromissos. E no final da temporada, um último choque no ano: a renúncia do então presidente bicolor, Roger Aguilera, no último dia 22 de dezembro.

Dentro de campo, a instabilidade se traduziu em oscilações de desempenho, trocas no comando técnico e dificuldades em vencer jogos decisivos. A consequência foi o descenso para a Série C, que também representa um impacto financeiro adicional: a redução nas cotas de transmissão e premiações pode significar um novo baque na receita.

Feitos históricos

Mas reduzir a história do Paysandu apenas a esse presente turbulento seria negligenciar conquistas que ecoam há décadas na memória da torcida. Na virada do século, o clube vencia rivais de peso no cenário nacional e continental. Em 2002, o Papão conquistou a Copa dos Campeões, triunfo que garantiu vaga na Copa Libertadores da América de 2003, um feito histórico para um clube do Norte do Brasil.

Na Libertadores, o Paysandu fez história ao se tornar o único clube da região Norte a disputar o torneio, finalizando a fase de grupos com desempenho memorável e registrando vitórias importantes. Incluindo um clássico triunfo por 1 a 0 sobre o Boca Juniors no lendário estádio La Bombonera, com gol de Iarley. Até hoje, um triunfo gravado na memória dos bicolores.

Não menos emblemática é a lembrança do “7 a 0” aplicado no maior rival, o Clube do Remo, em 1945. A maior vitória do Paysandu no clássico Re‑Pa, e um momento que se tornou símbolo da rivalidade e do orgulho bicolor. Esses episódios, aliados a uma coleção de títulos regionais que inclui dezenas de taças estaduais e conquistas como a Copa Verde, formam um legado que transcende qualquer temporada amarga.

Mesmo em meio às dificuldades, há sinais de que o clube pode reverter parte da crise. Em 2025, o Paysandu registrou recorde de arrecadação com receitas superiores a R$ 39 milhões, impulsionadas por bilheteria, patrocínios e iniciativas comerciais que ampliaram seu caixa.

E agora mesmo, no final do ano, a Confederação Brasileira de Futebol divulgou o Ranking Nacional de Clubes e o Ranking Nacional das Federações para a temporada de 2026. Na região Norte, o Paysandu aparece na liderança, com 4.030 pontos, uma vantagem de 266 pontos em relação ao maior rival, o Remo.

Paixão bicolor

É justamente na história que a torcida bicolor encontra consolo e combustível para manter a chama acesa. A fidelidade da torcida do Paysandu é lendária: por mais que os ventos soprem contra, a paixão bicolor permanece intacta nas arquibancadas e nas ruas de Belém. As lembranças de vitórias épicas reforçam a convicção de que o clube pode se reerguer.

Como dizia o cronista esportivo Armando Nogueira com aquele verniz de humor que só ele tinha: “No futebol brasileiro, as camisas mais pesadas não são as dos gigantes. São as que carregam histórias.”

E a do Papão, repleta de momentos inesquecíveis, certamente pesa de orgulho, esperança e fé em dias melhores. Para um clube que já desafiou gigantes e superou seus próprios limites, a queda de hoje pode ser apenas o prelúdio de uma nova ascensão.

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