- 7 de maio de 2026
Governadora Hana veta promoções de delegados investigados por suposto esquema de corrupção no Pará
A governadora do Pará, Hana Ghassan Tuma, determinou a suspensão das promoções concedidas aos delegados da Polícia Civil Arthur Afonso Nobre de Araújo Sobrinho e Carlos Daniel Fernandes de Castro. A decisão foi tomada após manifestação do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e parecer emitido pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE).
O despacho foi assinado no último dia 4 de maio de 2026 e atende solicitação apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), por meio do Ofício nº 108/2026-MP/GAECO. Segundo o MP, os dois delegados estão afastados das funções públicas desde dezembro de 2025 por decisão judicial relacionada a investigações em andamento.
De acordo com o Ministério Público, os servidores não preencheriam os requisitos necessários para progressão funcional, já que não estariam em efetivo exercício do cargo durante o período exigido para promoção na carreira.
As investigações conduzidas pelo MP apontam suspeitas de corrupção, cobrança de propina, manipulação de procedimentos policiais e atuação coordenada entre integrantes da Polícia Civil e outros agentes públicos. Conforme os autos, Arthur Nobre mantinha contato frequente com Carlos Daniel Fernandes de Castro, então diretor metropolitano da Polícia Civil.
Mensagens interceptadas pelos investigadores indicariam conversas sobre valores recebidos, transferências para delegacias consideradas estratégicas e divisão de vantagens financeiras. Em um dos trechos citados no inquérito, um escrivão afirma que a movimentação permitiria que o grupo ficasse “bem, sem bronca”. Em outra conversa anexada à investigação, Arthur Nobre teria definido a atuação do grupo como um “investimento a curto prazo”.
O Ministério Público também afirma que Carlos Daniel teria participado de movimentações administrativas envolvendo Arthur Nobre. As apurações apontam ainda a existência de uma suposta rede de favorecimento envolvendo outros agentes públicos.
Em uma das conversas, Arthur Nobre afirma estar “cansado, mas a fim de roubar alguém”, ao comentar o funcionamento do esquema.
Entre os investigados está o promotor de Justiça Luís Márcio Teixeira Cipriano. Segundo o MP, ele teria atuado em conjunto com o delegado em procedimentos investigativos e negociações consideradas irregulares. Conversas anexadas ao inquérito mostram referências a repasses financeiros e acordos envolvendo investigações. Em uma das mensagens citadas pelo Ministério Público, o promotor fala sobre “garantir o futuro” ao agradecer valores recebidos.
No caso envolvendo um atropelamento investigado pelo grupo, o MP afirma que o promotor teria solicitado formalmente que Arthur Nobre conduzisse o inquérito para viabilizar cobrança de propina. Em mensagens interceptadas, delegado e promotor também fazem comentários ofensivos relacionados ao perfil financeiro de investigados.
O caso começou a ser apurado após a apreensão do celular de Arthur Nobre durante uma das fases da investigação. O material analisado originou um inquérito que reúne mais de duas mil páginas, segundo informações do Ministério Público.
Além dos delegados e do promotor, o juiz Jackson José Sodré Ferraz também é alvo das investigações. O MP apura suspeitas de favorecimento em decisões judiciais relacionadas a operações policiais e procedimentos criminais.
Um dos episódios analisados envolve a operação “Truque de Mestre”, que investigou influenciadores digitais ligados a plataformas de apostas. Conforme depoimentos reunidos no processo, uma investigada relatou ter pago R$ 500 mil para evitar uma prisão preventiva.
Arthur Nobre já foi preso em diferentes fases da investigação e atualmente responde ao processo em liberdade. Mesmo afastado, continua recebendo remuneração mensal. Carlos Daniel também permanece afastado das funções. A defesa do delegado informou que acompanha o andamento do caso. Já a defesa do promotor Luís Márcio ainda não se pronunciou oficialmente.