- 3 de maio de 2026
Não só propósito, mas também sobrevivência, define o novo rosto do empreendedorismo no Pará
“Fazer a diferença no mundo” virou a principal motivação para empreender no Brasil, segundo a pesquisa GEM 2023, conduzida pelo Sebrae. O Global Entrepreneurship Monitor (GEM) é o maior e mais abrangente estudo anual sobre o empreendedorismo no mundo, analisando a atividade empreendedora em mais de 100 países. “Fazer a diferença…” foi a escolha citada por 77% dos empreendedores, superando a necessidade de renda.
No Pará, esse impulso ganha contornos próprios. É menos discurso e mais sobrevivência, mas também cada vez mais propósito. O estado começou 2026 com 475 mil pequenos negócios ativos. Desse total, 328,8 mil são MEIs, o equivalente a quase 70% das empresas formais, segundo dados da Receita Federal analisados pelo Sebrae. As micro e pequenas empresas somam outros 146 mil registros, confirmando a força de uma economia pulverizada e dependente do empreendedorismo de base.
O perfil desse empreendedor segue a tendência nacional apontada pelo IBGE: idade média de 40 anos, com presença relevante de jovens. Cerca de 20% têm até 29 anos, e percebe-se um avanço feminino consistente. No Brasil todo, mulheres já representam uma fatia crescente dos negócios, embora ainda enfrentem renda menor e maior informalidade, segundo o Sebrae.
No Pará, Belém concentra a maior parte desses negócios, puxados principalmente pelos setores de comércio e serviços. São atividades de baixo investimento inicial, muitas vezes ligadas à renda imediata, mas cada vez mais atravessadas por inovação digital, delivery, economia criativa e sustentabilidade, tendências em alta no ecossistema local.
Fonte única
A renda ainda é um desafio. Entre MEIs, o ganho médio gira em torno de R$ 1,3 mil mensais, praticamente o mesmo nível da renda média per capita do país, segundo dados do Sebrae com base no IBGE. Ainda assim, para 76% desses empreendedores, o negócio é a única fonte de renda.
Sabe o que é visível nesses números? Enquanto cresce o empreendedor movido por propósito, permanece dominante o empreendedor que precisa resistir. No Pará, empreender é, ao mesmo tempo, escolha e necessidade e, talvez por isso mesmo, carregue um traço de persistência.
Entre a vontade de transformar o mundo e a urgência de pagar as contas, o empreendedor paraense segue abrindo caminhos, muitas vezes sozinho, quase sempre no risco, mas cada vez mais consciente de que o futuro também pode ser construído por quem decide criar.