• 23 de abril de 2026

Romulo Maiorana: 40 anos da despedida do homem que moldou a comunicação na Amazônia

Reprodução

Quatro décadas após sua morte, em 23 de abril de 1986, o nome de Romulo Maiorana ainda se destaca como referência da comunicação no Norte do Brasil. E uma presença concreta no sistema que ajudou a construir e que segue ativo, agora conduzido por novas gerações da família.

Nascido em Pernambuco, com raízes italianas, Maiorana chegou a Belém ainda jovem. Foi na capital paraense que encontrou terreno fértil para empreender e, sobretudo, para transformar. Com olhar estratégico e senso agudo de oportunidade, assumiu nos anos 1960 o controle de O Liberal, jornal que se tornaria o núcleo de um dos maiores grupos de comunicação da região.

Sob seu comando, o impresso se consolidou como empresa moderna, com investimentos em tecnologia gráfica, ampliação de cobertura e profissionalização das redações. Era um tempo em que fazer jornal exigia coragem empresarial. E isso não lhe faltava.

Maiorana foi também pioneiro ao expandir sua atuação para outras mídias. A criação de emissoras de rádio e, posteriormente, a entrada na televisão marcaram uma virada importante na comunicação amazônica. Ele compreendeu cedo que o futuro passava pela integração de plataformas e pela capacidade de dialogar com públicos diversos, em diferentes formatos.

Sua personalidade combinava disciplina e ousadia. Era conhecido pelo rigor com que conduzia os negócios, mas também pela intuição afiada. Sabia identificar tendências antes que se tornassem evidentes e apostava nelas com convicção. 

Faro e criatividade

Um registro histórico marcante de sua verve está na criação de expressões que se tornaram patrimônio cultural. Conforme resgatado pelo documentário especial “Romulo Maiorana – 100 anos de história”, produzido pelas próprias Organizações Romulo Maiorana e veiculado pela TV Liberal, foi de autoria do empresário a famosa frase que define a maior festa religiosa do Pará: “O Círio é o Natal dos paraenses”. 

Segundo causos guardados na memória das antigas redações de Belém e compartilhados por jornalistas veteranos que conviveram com o empresário, ele costumava andar com um pequeno rádio sintonizado nas frequências da polícia e de órgãos públicos para saber o que estava acontecendo na cidade em primeira mão. Certa vez, ao ouvir um chamado importante sobre uma ocorrência policial de grande repercussão, ele não quis esperar a equipe de reportagem se deslocar. O próprio Romulo se dirigiu até o local do fato. 

Ao chegar lá, os policiais estranharam ver o dono do jornal descendo do carro com um bloquinho na mão para apurar os detalhes. Ele colheu as informações sozinho, voltou para a redação e disse aos repórteres: “Fui eu quem apurou. Agora tratem de escrever a melhor matéria!”.

Legado sólido

Seu Romulo também cultivava uma relação próxima com a cidade. Belém era sede de seus empreendimentos, mas também tornou-se parte de sua identidade. Entre seus principais acertos esteve a construção de um grupo sólido, com base familiar, mas orientado por lógica empresarial. Essa estrutura permitiu a continuidade após sua morte, garantindo que o legado não se fragmentasse. Hoje, o sistema fundado por ele é administrado pela segunda e terceira gerações, mantendo influência decisiva no cenário regional.

Em sua jornada, Romulo Maiorana valorizou um modo de fazer comunicação: atento ao público, conectado ao território e sustentado por visão de longo prazo. Em um país onde projetos muitas vezes não sobrevivem aos seus fundadores, sua obra permanece como um rio que segue correndo, mesmo depois que a fonte já não se vê.

Quarenta anos depois, a memória de “Seu Romulo” se atualiza todos os dias, nas páginas impressas, nas ondas do rádio, nas telas da TV e agora evolui pelos caminhos da internet. Assim como a comunicação, o legado de Romulo Maiorana é fruto de uma construção feita de escolhas firmes, risco calculado e, sobretudo, permanência.

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