• 18 de abril de 2026

Mãe denuncia manipulação de imagens com ‘deep nudes’ em colégio particular na Augusto Montenegro

Reprodução

Uma mãe denunciou que a filha, menor de idade, foi vítima de violência psicológica após ter imagens manipuladas por meio de Inteligência Artificial dentro de um colégio particular localizado na avenida Augusto Montenegro, em Belém. Segundo o relato, um aluno da mesma instituição, também menor, teria utilizado fotos das estudantes para criar montagens falsas em que elas aparecem nuas, sem qualquer tipo de consentimento. O caso teria sido denunciado na última sexta-feira (17), pelo próprio irmão do menor acusado, que teria visto as imagens.

De acordo com a denúncia, além da filha, outras duas alunas da mesma escola também foram alvo da prática. As imagens originais teriam sido registradas dentro da própria sala de aula, o que aumentou a indignação da família. A mãe da aluna afirma estar estarrecida com a situação e ressalta a preocupação com a possibilidade de que outras adolescentes, inclusive de diferentes instituições de ensino, também tenham sido vítimas do mesmo tipo de manipulação. Ela também afirma que vai procurar as medidas legais cabíveis, pois sente que a direção da instituição resolve o caso como “mera questão jurídica”.

O relato é contundente e a mãe afirma que a filha está abalada com o caso, já que o adolescente responsável pelo ato pertence ao círculo de amizades da menor. A mãe de uma das vítimas ficou de ir à polícia na tarde de hoje para registrar boletim de ocorrência.

“Situação  acompanhada”

A mãe estranha que a própria escola não tome uma providência mais rígida para punir ou advertir o aluno ou seus responsáveis. No relatório do atendimento feito por ocasião da denúncia registrada no colégio, assinado pelas coordenadoras pedagógicas, pela advogada e pela psicóloga da instituição de ensino, aparecem os nomes de três vítimas do mesmo aluno, também identificado, todos eles menores de idade, citando o conhecimento da atitude ilícita do rapaz: “utilização de fotos modificadas com a inteligência artificial, não consensual com cunho sexual”.

O documento ainda afirma que “foram realizadas as devidas escutas e acolhimentos, assim como as intervenções psicopedagógicas e em seguida os responsáveis das alunas foram acionados”. E encerra dizendo que, a partir de agora, “a situação será acompanhada pelo setor jurídico”.

Mal comparando, é como Pôncio Pilatos lavando as mãos. A própria escola deveria ter levado o caso ao conhecimento da polícia, pois se trata de crime. É uma conduta tipificada no Código Penal (Artigo 218-C), além de configurar o chamado deepnude e a violência psicológica.

Casos envolvendo o uso de inteligência artificial para manipulação de imagens íntimas, conhecidos como “deepnudes”, têm preocupado especialistas em segurança digital no Brasil. Dados da SaferNet Brasil apontam que dezenas de milhares de denúncias de crimes digitais são registradas anualmente no país, muitas delas relacionadas à exposição sexual não consentida.

Embora não existam estatísticas oficiais específicas para esse tipo de crime em Belém, autoridades como a Polícia Civil do Pará confirmam que ocorrências são registradas dentro de categorias mais amplas, o que dificulta a mensuração do problema.

Especialistas alertam para o crescimento do uso de ferramentas de Inteligência Artificial em ambientes escolares, especialmente entre adolescentes, e para os impactos psicológicos causados às vítimas.

O Cidade 091 procurou a administração do colégio, que até o momento não se manifestou sobre o caso.

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