• 17 de abril de 2026

Superpopulação de garças na Praça Batista Campos acende alerta para altos riscos à saúde; autoridades ainda não se manifestaram

Divulgação/Cidade 091

A morte de um fisioterapeuta de 53 anos após um quadro de infecção gerou o debate sobre riscos à saúde em locais com acúmulo de fezes de aves em Belém. O caso está relacionado a um episódio supostamente ocorrido na Praça Batista Campos, onde o homem teria tido contato com dejetos de uma ave.

Após o episódio, ele passou a apresentar sintomas como dor de cabeça e mal-estar. O quadro evoluiu ao longo dos meses, atingindo pulmões e sistema nervoso central. Mesmo com tratamento médico, não houve reversão.

Infecção por fungo e evolução do quadro

A suspeita é de infecção por Criptococose, doença associada ao fungo Cryptococcus, que pode ser encontrado em fezes de garças.

Segundo o infectologista Lourival Marsola, a transmissão ocorre principalmente pela inalação de partículas presentes no ambiente.

“Não é porque as fezes caem em cima da gente, ou ao lado, que vamos adquirir esse fungo tratado na notícia. […] Esse fungo é adquirido, principalmente, pela inalação de partículas presentes no ar”, explicou.

De acordo com o especialista, essas partículas podem alcançar os pulmões, entrar na corrente sanguínea e atingir o cérebro. “Esse fungo tem afinidade pelo sistema nervoso central, onde pode causar meningite de evolução lenta”, afirmou.

O médico também destacou que, em alguns casos, é necessário realizar procedimentos para retirada do líquor (LCR), com o objetivo de reduzir a pressão no sistema nervoso central.

Presença de aves e impacto em espaços públicos

Frequentadores da Praça Batista Campos relatam presença recorrente de aves, especialmente garças, fora do normal, que utilizam as árvores do local como abrigo. O acúmulo de fezes em áreas de circulação tem sido registrado por moradores.

A concentração desse material pode favorecer a dispersão de micro-organismos no ambiente, principalmente em locais com grande fluxo de pessoas.

Orientações e prevenção

De acordo com o especialista, não há vacina para prevenir esse tipo de infecção. A principal medida é reduzir a exposição a ambientes com grande concentração de aves.

“Evitar locais com muitos animais e, quando não for possível, utilizar máscara pode reduzir a inalação dessas partículas”, orientou.

Outras recomendações incluem evitar contato direto com fezes, higienizar as mãos após frequentar áreas públicas e procurar atendimento médico em caso de sintomas persistentes.

Monitoramento e medidas

Outro relato de moradores aponta que, embora haja limpeza no local, ela não ocorre com frequência, o que contribui para o acúmulo de fezes de aves, sobretudo no trecho da praça próximo à Avenida Serzedelo Corrêa. A situação preocupa devido ao grande número de corredores e barracas de vendedores de água de coco na área.

Especialistas apontam que ações como limpeza frequente e monitoramento são as principais estratégias para reduzir riscos em espaços urbanos, além do uso de máscaras.

Posicionamento

Entramos em contato com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente para obter informações sobre o controle de animais em espaços públicos e com a Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel) sobre a limpeza dessas áreas. Aguardamos retorno.

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