- 13 de abril de 2026
Familiares pedem que Cármen Lúcia deixe o STF após ataques machistas
A ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, afirmou que a Corte precisa ampliar a transparência para melhorar a percepção pública e a convivência interna entre os integrantes.
A declaração foi feita durante participação no evento “O Brasil na visão das lideranças públicas”, promovido pela Fundação FHC.
Durante o evento, a ministra também relatou que tem sido alvo de ataques e disse que familiares sugerem que ela deixe o cargo. “Todo mundo da família fala: ‘Cármen, sai disso. Chega. Já fez o que tinha que fazer’”, afirmou. Segundo ela, as críticas têm caráter machista e impactam sua rotina no tribunal. “Os informes são realmente degradantes, desmoralizantes”, declarou.
Cármen Lúcia afirmou que o cenário pode afetar a disposição de futuros indicados ao STF. “Algumas pessoas não vão querer ir, porque a nossa família não quer que a gente fique”, disse.
Ao comentar o funcionamento do tribunal, a magistrada defendeu maior abertura das informações institucionais. “Minhas agendas são públicas. E eu acho que, quanto mais se der essa transparência, essa explicação, tanto melhor para o Supremo Tribunal Federal”, afirmou.
A ministra também mencionou o volume de trabalho no STF. Segundo ela, cada integrante acumula grande quantidade de processos. “Hoje eu tenho 1.056 processos”, disse. Ela também citou o número de pedidos de audiências e a rotina de sessões no STF e no Tribunal Superior Eleitoral, onde exerce a presidência.
“Há uma avalanche que realmente precisa ser repensada. Não é possível, do ponto de vista humano”, afirmou, ao comentar a carga de trabalho dos ministros.
Cármen Lúcia declarou ainda que não pode responder por todos os integrantes da Corte, mas garantiu sua conduta. “Os senhores, quanto a mim, podem dormir sossegados. Eu não faço nada errado”, disse.
Ao abordar o papel institucional do STF, destacou que o tribunal tem função no sistema democrático. “Não há democracia sem um Poder Judiciário independente”, afirmou. A ministra reconheceu a existência de falhas, mas disse que a Corte deve manter o compromisso com a prestação de serviço público.