• 9 de abril de 2026

Estreito de Ormuz está aberto, mas passagem tem de ter consentimento do Exército do Irã, diz vice-chanceler iraniano

Giuseppe Cacace / AFP via O Globo

O Estreito de Ormuz está aberto, mas petroleiros e outras embarcações só podem atravessar a via com consentimento do Exército do Irã, afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores do país, Saeed Khatibzadeh, em entrevista à ITV News. Ele destacou que qualquer embarcação que se comunique com as autoridades iranianas pode receber autorização, desde que não haja comportamento hostil. Apesar das garantias de Teerã, a navegação pelo estreito continua lenta: o Irã permitirá a travessia de no máximo 15 navios por dia, disse uma fonte iraniana sênior à agência TASS, sob condição de anonimato.

“O Estreito de Ormuz está aberto, mas todos os navios que desejam passar precisam se comunicar com o Exército e com os pontos de contato militares iranianos, devido às limitações do estreito”, disse Khatibzadeh. “Há restrições técnicas por ser uma zona de guerra e por causa de várias medidas que o Irã adotou durante o conflito, durante essa agressão contra o país”.

O estreito, um canal de apenas 34 km de largura entre Irã e Omã, dá acesso do Golfo ao Oceano Índico e é a principal rota para cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo, além de outros produtos essenciais, incluindo fertilizantes. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, a via tem estado em grande parte fechada pelo Irã, provocando alta nos preços globais do petróleo.

Segundo o ministro, a passagem pelo estreito exige cuidado com a segurança dos petroleiros, das embarcações e das tripulações.

“As restrições estão diretamente ligadas às condições de guerra e levam tempo para serem removidas, mas a passagem segura é garantida”, afirmou.

Embora o presidente americano, Donald Trump, tenha dito na terça-feira que o cessar-fogo de 14 dias entre os EUA e o Irã depende da reabertura de Ormuz, e Teerã tenha concordado que o trânsito é possível, a navegação por essa rota estratégica segue em grande parte paralisada. Os contratos futuros do petróleo voltaram a subir acima de US$ 98 (cerca de R$ 503, na cotação atual) o barril em Londres na quinta-feira, após despencarem mais de 13% na quarta.

Khatibzadeh também ressaltou que medidas como a presença de minas e outras restrições adotadas durante o conflito ainda estão em vigor. Por este motivo, todas as “embarcações devem tomar as medidas necessárias com as autoridades iranianas para atravessar com segurança”.

— É preciso garantir que a travessia segura de petroleiros e embarcações, assim como o bem-estar das tripulações, sejam assegurados durante o percurso — afirmou. — Qualquer embarcação que se comunique com as autoridades iranianas pode receber autorização, independentemente da nacionalidade, desde que não haja comportamento hostil.

Khatibzadeh também disse à emissora que “espera que possamos nos reunir em breve no Paquistão” para negociações programadas com uma delegação americana. Ele ressaltou ainda que o Líbano fazia parte do acordo de cessar-fogo e criticou os ataques israelenses no país, afirmando que o Irã esperava que os Estados Unidos pudessem “controlar seu aliado” e “honrar suas palavras”.

As declarações de Khatibzadeh estão em linha com transmissões de rádio feitas pelo país ao tráfego marítimo na quarta-feira, nas quais insistiu na necessidade de obter permissão para atravessar o corredor marítimo.

Ainda assim, se implementado, esse modelo pode enfrentar dificuldades práticas, já que cerca de 130 embarcações cruzavam o estreito diariamente antes do conflito e teriam de solicitar aprovação ao Irã.

Na quarta-feira, o tráfego de navios pelo estreito foi o menor desde o final de março, segundo dados da empresa global de monitoramento Kpler.

— Para ser claro: o Estreito de Ormuz não está totalmente aberto — afirmou Sultan Ahmed Al Jaber, executivo-chefe da empresa estatal de petróleo de Abu Dhabi. — O acesso está sendo restrito, condicionado e controlado.

Teerã tem cobrado de algumas transportadoras uma taxa de até US$ 2 milhões (aproximadamente R$ 10,2 milhões) para a travessia. Dois petroleiros chineses totalmente carregados aguardavam próximo ao estreito na quinta-feira, com um terceiro a caminho, o que os coloca em posição de se tornarem as primeiras embarcações desse tipo a deixar o Golfo Pérsico desde o início do cessar-fogo.

UE e França rejeitam “pedágio”

A União Europeia (UE) afirmou que a passagem pelo estratégico Estreito de Ormuz deve ser garantida sem “pagamento ou pedágio” algum, após o Irã insinuar que poderia cobrar pela travessia de navios.

“A liberdade de navegação é um bem público e deve ser garantida”, destacou o porta-voz da Comissão Europeia, Anouar El Anouni, em entrevista em Bruxelas.

O ministro francês Jean-Noël Barrot classificou como “inaceitável” a ideia de criar um mecanismo de pedágio na região. Na quarta-feira, o presidente americano Donald Trump mencionou a criação de uma empresa conjunta para gerenciar a navegação no estreito em troca de pagamento.

Redação Cidade 091 com informações de O Globo.

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