• 6 de abril de 2026

Metade dos adultos enfrenta dívidas em Belém; cartão lidera índices de inadimplência

Marcelo Camargo / Ag. Brasil

Em Belém, o endividamento já não é exceção, virou uma regra. Estimativas baseadas em dados de birôs de crédito e dados do Serasa e SPC indicam que entre 40% e 45% da população adulta da capital possui alguma restrição no nome, patamar próximo ou ligeiramente acima da média nacional recente, que gira em torno de 44% dos adultos inadimplentes.

No Pará, o cenário segue a mesma linha. Levantamentos de mercado e séries históricas de inadimplência mostram que o estado já figurou com cerca de 37% da população adulta negativada, índice que acompanha a escalada recente do país e tende a avançar, sobretudo desde a pandemia do coronavírus e o ciclo de juros altos.

Em números absolutos, isso significa que milhões de paraenses convivem com dívidas em atraso e uma parcela relevante está vinculada à região metropolitana de Belém, onde se concentram renda, consumo e também o crédito. O perfil da dívida ajuda a explicar o quadro local. Assim como no restante do país, os débitos com bancos e cartões de crédito lideram o ranking, respondendo por cerca de 30% das causas de inadimplência, segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa. Na prática, isso coloca o cartão de crédito como principal porta de entrada para o descontrole financeiro.

A lógica se repete em Belém. Com renda pressionada, o cartão deixa de ser instrumento de compra parcelada e passa a funcionar como complemento do orçamento. Quando a fatura não fecha, o consumidor recorre ao crédito rotativo, uma das modalidades mais caras do sistema, e entra em um ciclo de difícil reversão.

Múltiplos débitos

Os dados nacionais ajudam a dimensionar esse efeito sobre a realidade local. Hoje, o Brasil reúne mais de 72 milhões de inadimplentes, com cerca de 273 milhões de dívidas em aberto, muitas delas concentradas em serviços financeiros. Em média, cada consumidor negativado acumula múltiplos débitos, um padrão que também se observa em Belém, segundo o Serasa.

Mas o diferencial paraense está menos nos números absolutos e mais na dificuldade de pagamento. Com renda média inferior à de outras regiões e maior informalidade, o impacto das dívidas tende a ser mais profundo. Em Belém, isso se traduz em atraso recorrente em contas básicas, como energia e alimentação, além de maior dificuldade de negociação.

Outro indicador relevante é a persistência da inadimplência. Dados da Serasa mostram que o país mantém patamar elevado. Ou seja: acima de 43% da população adulta com dívidas em atraso, mesmo com períodos de leve melhora. Na região Norte, onde o acesso ao crédito é mais restrito, essa recuperação costuma ser mais lenta.

A discussão sobre novas regras para o crédito rotativo surge justamente nesse contexto. A proposta de limitar juros e facilitar o parcelamento pode aliviar parte da pressão sobre consumidores endividados, especialmente em regiões como o Pará, onde o crédito caro tem peso desproporcional.

Ainda assim, especialistas como o economista Luiz Carlos das Dores Silva, que estuda economia doméstica, costumam apontar que a medida não resolve o núcleo do problema. “Sem aumento de renda e maior acesso a linhas mais baratas, o risco é de repetição do ciclo: dívida, atraso, negociação, levando a novos endividamentos”, adverte.

Belém é um verdadeiro espelho do retrato nacional. Aqui, o cartão já deixou de ser símbolo de consumo e passou a ser ferramenta de sobrevivência. E, no limite entre o uso e o abuso do crédito, a conta que não fecha no fim do mês segue aberta no mês seguinte. Com juros, multa e correção monetária.

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