• 4 de abril de 2026

Artemis 2: Astronauta Jeremy Hansen descreve sensação de ‘cair do céu’ rumo à Lua

Reprodução/O Globo

O astronauta canadense Jeremy Hansen, integrante da Artemis II, descreveu a sensação de “cair do céu” enquanto a nave Orion seguia em direção à Lua, a mais de 241 mil quilômetros da Terra. O relato foi feito durante uma videochamada neste sábado, quando a tripulação já havia ultrapassado o ponto médio entre os dois corpos celestes. A missão transporta quatro astronautas que devem realizar um sobrevoo lunar e coletar observações científicas da superfície do satélite natural da Terra.

Hansen participa do primeiro sobrevoo lunar tripulado em mais de 50 anos, ao lado de Victor Glover, Christina Koch e Reid Wiseman. Segundo ele, a percepção da distância mudou rapidamente ao longo da viagem.

— Enquanto tirávamos um pequeno cochilo e acordávamos, a Terra já estava tão longe — descreve.

A sensação mais marcante ocorreu após a manobra conhecida como injeção translunar, que coloca a nave em trajetória rumo à Lua.

— Tive a sensação de que estávamos caindo do céu em direção à Terra, e disse ao Reid: “Parece que vamos nos chocar contra ela” — afirma. — É incrível. Na verdade, a evitamos (…). Estava tão perto (…). Foi realmente fenomenal.

Retorno à órbita lunar após décadas
Aos 50 anos, Hansen ingressou na Agência Espacial Canadense em 2009, após carreira como piloto de caça. Esta é sua primeira viagem espacial, e ele se tornará o primeiro não americano a voar ao redor da Lua.

A próxima etapa da missão está prevista para o quinto dia de viagem, quando a nave deve entrar na esfera de influência lunar, momento em que a gravidade da Lua passa a predominar sobre a da Terra, segundo a Nasa.

Hansen afirmou que espera observar o lado oculto da Lua e presenciar “um eclipse do Sol atrás da Lua”.

Durante a conversa, ele também deixou uma mensagem às novas gerações, incentivando-as a “seguir suas paixões” e a “compartilhá-las com os outros”, destacando a importância do trabalho coletivo.

— Para alcançar grandes coisas como o que estamos fazendo nesta cápsula, viajar até a Lua, voar ao redor da Lua, é preciso ter uma grande equipe por trás. E isso vale para todos nós em nossas vidas — afirma.

Trajetória e observações inéditas
Após um lançamento considerado perfeito na noite de quarta-feira, a Orion iniciou sua trajetória com uma etapa inicial em órbita terrestre alta, a cerca de 70,3 mil quilômetros da superfície. Durante aproximadamente 24 horas, a tripulação realizou testes essenciais, incluindo sistemas de suporte à vida, comunicações no espaço profundo e manobras de acoplamento previstas para futuras missões.

Uma imagem divulgada pela Nasa mostra a cápsula em pleno espaço profundo, com a Lua ao fundo, capturada por uma câmera na extremidade de um painel solar da nave. A fotografia oferece um ângulo incomum do satélite e destaca o contraste entre a nave e a escuridão do espaço. Segundo Glover, a tripulação registrou outras imagens detalhadas da superfície lunar, incluindo a Bacia Oriental, uma enorme formação de impacto. A perspectiva dessas fotos reforça a sensação da distância percorrida: a Terra aparece cada vez menor, enquanto a Lua domina o campo de visão.

Ainda nessa fase inicial, a missão manteve margem de segurança: em caso de falha grave, seria possível retornar imediatamente à Terra. Superada essa etapa, os motores da nave foram acionados para impulsionar a cápsula para fora da órbita terrestre, dando início à viagem rumo à Lua.

A travessia até a chamada “esfera de influência lunar” — ponto em que a gravidade da Lua passa a predominar — deve levar cerca de três dias. Durante esse período, os astronautas também testam novos trajes espaciais, projetados para garantir sobrevivência por até seis dias em caso de despressurização. A missão tem duração estimada de dez dias.

A chegada às proximidades da Lua está prevista para a noite de segunda-feira, cerca de cinco dias após o lançamento. Nesse momento, a tripulação iniciará a fase de observação do satélite, incluindo regiões do lado oculto nunca vistas diretamente por humanos. Mesmo no ponto mais próximo, a Orion permanecerá a mais de 6,6 mil quilômetros da superfície lunar.

A Artemis II segue uma trajetória chamada “retorno livre”, que utiliza a gravidade lunar para trazer a cápsula de volta à Terra sem necessidade de acionamento dos motores. O percurso em formato de “oito” garante não apenas eficiência, mas também segurança em caso de falhas no sistema de propulsão.

Se mantido o cronograma, a missão Artemis II deve atingir a maior distância já percorrida por seres humanos em relação à Terra, superando o recorde da missão Apollo 13, em 1970. Na ocasião, apesar de não conseguir pousar na Lua devido a problemas técnicos, a tripulação estabeleceu a marca que permanece até hoje.

Cidade 091 com informações de O Globo.

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