- 1 de abril de 2026
Em pronunciamento, Trump defende guerra no Irã, fala em ‘vitórias’ no campo de batalha e recicla argumentos
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na noite desta quarta-feira (1) que suas Forças Armadas obtiveram no Irã “vitórias rápidas, decisivas e esmagadoras no campo de batalha”, em que “nunca na História da guerra um inimigo sofreu perdas tão claras e devastadoras em larga escala em questão de semanas”. Eete foi o primeiro pronunciamento do presidente na TV desde o início da guerra contra o Irã, no dia 28 de fevereiro, no momento em que a Casa Branca alterna ameaças de “obliteração” com mensagens positivas sobre negociações de um cessar-fogo.
Trump disse que sua opção sempre foi pela diplomacia, apesar de ordenar o bombardeio, em junho do ano passado, de instalações nucleares iranianas, e de ordenar a “Operação Fúria Épica” em meio a negociações que se encaminhavam para um desfecho positivo a Washington. O presidente disse que as centrais de enriquecimento e armazenamento foram “obliteradas”, mas informações de inteligência apontam que as atividades foram mantidas, embora em escala menor. Estima-se que o país tenha 400 kg de urânio enriquecido.
O presidente reciclou alguns de seus argumentos, citando as alegações de que o Irã é “o maior patrocinador do terrorismo” no Oriente Médio e que massacrou a própria população durante os protestos no começo do ano, citando 45 mil mortos — não há dados exatos sobre o número de vítimas. Ele chamou o acordo nuclear firmado em 2015, que estabeleceu limites às atividades de enriquecimento de urânio do Irã e que foi rasgado em seu primeiro mandato, de “o pior possível”, e celebrou a morte, em 2020, do general Qassem Soleimani, chefe da Força Quds.
Uma marca da “Operação Fúria Épica” é a confusão sobre o que exatamente quer Donald Trump com uma guerra que incendiou o Oriente Médio e envolveu direta e indiretamente todo o mundo.
Em público, Trump insiste que há negociações em curso com os iranianos, e chegou a dizer que “a nova presidência do regime” havia pedido um cessar-fogo, sem dizer exatamente a quem se referia, condicionando o fim dos bombardeios à reabertura do Estreito de Ormuz, fechado desde o começo do mês passado — hoje, há cerca de 400 navios aguardando para fazer a travessia. O Irã nega que haja conversas diretas e diz que não fez qualquer comunicação sobre a suspensão dos combates. Segundo fontes ouvidas pela rede CNN, o vice-presidente, JD Vance, relatou aos países que servem como intermediários entre Teerã e Washington que Trump está “impaciente” por um acordo .
Em uma carta ao povo americano, publicada nesta quarta-feira, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, perguntou se os seus interesses estavam sendo atendidos com a ofensiva de Trump, citando os ataques a hospitais, escolas e infraestruturas vitais e as ameaças do presidente dos EUA.
“Além de constituírem um crime de guerra, tais ações acarretam consequências que se estendem muito além das fronteiras do Irã”, afirmou Pezeshkian. “Elas geram instabilidade, aumentam os custos humanos e econômicos e perpetuam ciclos de tensão, semeando ressentimentos que perdurarão por anos. Isso não é uma demonstração de força; é um sinal de perplexidade estratégica e de incapacidade de alcançar uma solução sustentável.”
Redação Cidade 091 com informações de O Globo.