• 13 de março de 2026

Enquanto prefeitura de Belém corta benefícios de professores, secretária de Educação faz “terapia coletiva” para burnout no carnaval de Salvador

A secretária municipal de Educação de Belém, Beatriz Morrone, não dá as caras na própria secretaria há mais de um mês. A ausência prolongada não passou despercebida em uma área que já vive dias turbulentos por causa da longa greve dos professores, que paralisou as aulas e está com negociações emperradas. Enquanto isso, a titular da pasta está longe do gabinete e, ao que tudo indica, longe também do estresse.

Sabe-se que Morrone viajou para Salvador no dia 11 de fevereiro. A viagem coincidiu com o período mais movimentado do calendário baiano: o Carnaval. Até aí, nada de extraordinário. O detalhe é que, semanas depois, ela segue sem aparecer na sede da Secretaria Municipal de Educação, mas fotos dela, no auge da folia baiana, circulam nas redes sociais à vontade, para quem quiser ver.

A justificativa oficial para o sumiço é de ordem médica. Segundo a própria secretária, ela enfrenta uma crise de burnout, termo usado para descrever um estado de exaustão física e mental provocado por estresse crônico no trabalho. O quadro costuma envolver cansaço extremo, perda de motivação e sensação de esgotamento permanente. Em tese, um problema sério, cada vez mais comum em ambientes profissionais de alta pressão.

Mas isso não combina nem um pouco com a temporada na folia baiana. Ou o remédio mataria a paciente. Fotos publicadas no Instagram, no perfil de uma amiga da secretária, mostram Morrone em plena folia no Carnaval de Salvador, cercada de foliões e aparentemente bem distante do estado de esgotamento que a teria afastado do cargo. Na legenda de uma das publicações, uma explicação bem-humorada: “terapia coletiva”.

É possível que haja, de fato, um método terapêutico inovador sendo testado. Afinal, poucos ambientes são tão intensos, sonora e emocionalmente, quanto um bloco carnavalesco em Salvador. Se a ideia era descansar da pressão do trabalho, a estratégia foi ousada: trocar reuniões tensas e soluções inadiáveis por trios elétricos a todo volume.

Enquanto a secretária experimenta esse tipo peculiar de recuperação emocional, a educação municipal segue em clima menos festivo. Professores mantiveram uma greve por 40 dias, sem conseguirem sequer uma negociação viável junto à secretária, reivindicando melhores condições e a revogação do pacote de maldades, como ficou conhecida a Lei nº 10.266/26, que criou o novo Estatuto do Magistério e nova matriz curricular, considerados autoritários pelos profissionais do setor. Sem a interlocução direta da chefe da pasta, as conversas não avançaram.

Nos corredores da administração municipal, o comentário é inevitável: em meio à crise educacional, a secretaria parece funcionar em ritmo de pós-Carnaval permanente. Burnout é coisa séria, e ninguém discute isso. Mas, olhando para as fotos da secretária em plena festa baiana, fica difícil separar o diagnóstico médico do descanso indevido e prolongado.

Se alguém disser que Beatriz Morrone não está de brincadeira, é possível até acreditar. Mas, pelas imagens que circulam por aí, parece que está. E com direito a abadá.

Tentamos contato com a assessoria e com a própria secretária, mas não tivemos resposta. O espaço está aberto para manifestações.

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