• 10 de março de 2026

Cesta básica volta a subir em Belém e feijão vira o principal vilão do bolso do consumidor

Reprodução

O preço da cesta básica voltou a subir em Belém, ainda que de forma discreta e manteve pressão sobre o orçamento das famílias paraenses em fevereiro. O conjunto dos alimentos essenciais passou a custar R$ 674,12, com alta de 0,08% em relação a janeiro, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Mesmo pequena, a variação confirma uma tendência de preços ainda elevados na capital paraense, onde a cesta consome quase 45% do salário mínimo.

A elevação ocorre em um momento em que o custo total da cesta básica aumentou em 14 capitais brasileiras, apesar de alguns produtos apresentarem queda em alguns estados do país. Entre os itens que ficaram mais baratos em grande parte das cidades estão óleo de soja, açúcar, café em pó, arroz e leite integral, de acordo com os levantamentos nacionais.

No ranking nacional, São Paulo segue com a cesta mais cara do país, com preço médio de R$ 852,87, seguida por Rio de Janeiro (R$ 826,98) e Florianópolis (R$ 797,53). Na outra ponta está Aracaju, onde o conjunto de alimentos custa R$ 562,88, o menor valor entre as capitais pesquisadas.

A pesquisa também passou a abranger todas as 27 capitais brasileiras, após uma parceria inédita entre a Conab e o Dieese. Antes, o levantamento era feito em apenas 17 cidades.

Feijão é o vilão

Em Belém, o principal responsável pela alta foi o feijão carioca, que registrou a maior variação de preço em fevereiro: 18,63%, tornando-se o “vilão” da cesta básica no mês. Esse aumento está ligado principalmente a fatores de oferta e logística. 

A produção do feijão é concentrada em estados como Paraná, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Para chegar ao Pará, o produto percorre milhares de quilômetros por portos e rodovias, o que encarece o transporte e torna o preço mais sensível a variações no custo do frete e na oferta.

Além disso, oscilações na safra provocadas por clima irregular em regiões produtoras podem reduzir a disponibilidade do grão no mercado. Quando isso acontece, a pressão de preços aparece primeiro nos centros consumidores mais distantes das áreas de produção, como as capitais da região Norte.

O feijão que chega à mesa do consumidor paraense normalmente passa por várias etapas: produção agrícola em estados do Centro-Oeste, Sudeste ou Sul; beneficiamento e classificação em cooperativas ou empresas cerealistas;

transporte de longa distância, geralmente por caminhões até os centros de distribuição.Esse trajeto logístico, mais longo do que em regiões produtoras, ajuda a explicar por que aumentos na produção ou no transporte são rapidamente percebidos no preço final pago pelo consumidor. 

Apesar de alguns alimentos terem ficado mais baratos recentemente, o custo da cesta continua elevado para muitas famílias. Em Belém, um trabalhador que recebe salário mínimo precisa destinar cerca de 45% da renda apenas para comprar os itens básicos de alimentação, o que evidencia o impacto direto da inflação dos alimentos no cotidiano da população. Nesse ritmo, até o bom e velho feijão com arroz ficou salgado.

Relacionadas

Goleiro Bruno é considerado foragido pela Justiça do Rio após descumprir regras da condicional

Goleiro Bruno é considerado foragido pela Justiça do Rio…

A Justiça do Rio passou a considerar foragido Bruno Fernandes das Dores de Souza, o goleiro Bruno, condenado pelo assassinato de…
Da bomba no Oriente Médio à bomba do posto, a guerra lá fora afeta o nosso bolso aqui em Belém

Da bomba no Oriente Médio à bomba do posto,…

Se você abasteceu o carro em Belém nos últimos dias e sentiu que o preço da gasolina parece ter subido mais…
Anvisa aprova medicamento inédito para diabetes tipo 1

Anvisa aprova medicamento inédito para diabetes tipo 1

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o teplizumabe, o primeiro tratamento com potencial para modificar o curso do diabetes tipo 1.…