- 9 de março de 2026
Escritório de mulher de Moraes diz que fez 94 reuniões com Master e 36 pareceres sobre compliance, regulação e outros temas
O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou uma nota sobre o contrato com o Banco Master, que está no centro de um escândalo financeiro bilionário em um inquérito que tramita na Suprema Corte. No texto, o escritório afirma que durante o período do contrato, de fevereiro de 2024 a novembro de 2025, produziu 36 pareceres e fez 94 reuniões de trabalho. A nota afirma que a banca nunca atuou perante o STF.
Foi a primeira vez em que Viviane Barci de Moraes se manifestou sobre a existência do contrato, 92 dias após a existência do documento ter sido revelada pelo colunista do GLOBO Lauro Jardim, em dezembro do ano passado. Dois dias depois, a colunista Malu Gaspar mostrou que o documento previa o pagamento de R$ 129 milhões em três anos ao escritório da mulher e dos filhos do ministro. O contrato foi encerrado em novembro, segundo nota do escritório, mês em que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso pela primeira vez, e o banco foi liquidado.
Em nota, o escritório disse que “realizou ampla consultoria e atuação jurídica, por meio de uma equipe composta por 15 advogados”, e que também contratou outros três escritórios especializados em consultoria. Das 94 reuniões, 79 foram presenciais na sede do banco, com duração aproximada de três horas, “para análise de documentos, discussão dos problemas jurídicos e desenvolvimento do objeto do contrato”. Outras 13 foram com a presidência do banco e equipe jurídica, e duas com a equipe jurídica, por videoconferência.
O escritório acrescentou que “nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF”. Os pareceres elaborados, segundo a nota, envolveram diversos temas, como “aspectos previdenciários, contratuais, negociais, trabalhistas, regulatórios, de compliance, proteção de dados e crédito”. Houve atuação ainda, de acordo com a advogada, na revisão da política de captação para o Regime Próprio da Previdência Social (RPPS). A equipe jurídica, segundo o texto, ajudou ainda a implementar o Novo Código de Ética e Conduta do banco.
“Outra equipe do escritório Barci de Moraes, juntamente com os consultores, atuou, principalmente, na área penal e administrativa, na análise consultiva e estratégica de inquéritos policiais, ações penais, inquérito civis, ações civis públicas e ações de interesse ou que pudessem produzir reflexos na atuação do Banco Master e de seus dirigentes, vários deles sigilosos, bem como na atuação contenciosa específica em ação penal, cujo ajuizamento ocorreu em 17/10/2024, e inquérito policial federal específico, cuja habilitação se deu em 8/4/2024”, informou.
Na semana passada, a colunista Malu Gaspar revelou que Moraes e Vorcaro mantinham diálogo por WhatsApp e que uma das últimas mensagens que o banqueiro enviou no dia em que foi preso pela primeira vez, em novembro de 2025, foi para o ministro. “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, dizia a mensagem. Alexandre de Moraes respondeu, mas não é possível saber o que ele disse, porque as mensagens foram de visualização única, do tipo que se apaga assim que o destinatário as lê. Ele nega que as mensagens citadas tenham sido direcionadas a ele.
Em uma manifestação anterior, Viviane Barci de Moraes afirmou que não recebeu mensagens de Moraes no dia em que ele foi detido no ano passado.
Redação Cidade 091 com informações de O Globo.