- 8 de março de 2026
Fantástico revela investigação sobre mansão de luxo ligada ao prefeito de Ananindeua, Daniel Santos
Uma reportagem exclusiva exibida pelo Fantástico deste domingo (8) revelou detalhes de uma investigação que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos envolvendo o prefeito de Ananindeua, Daniel Santos (PSB).
Segundo a apuração, uma mansão localizada em um condomínio de luxo à beira-mar, no município de Fortim, no litoral do Ceará, é apontada pelo Ministério Público do Estado do Pará como um dos principais indícios de um suposto esquema de desvio de recursos públicos. O imóvel, avaliado em cerca de R$ 4 milhões já mobiliado, teria sido pago por empresas e pessoas ligadas à administração municipal, em uma espécie de “vaquinha da corrupção”, conforme apontam os investigadores.
Casa de luxo no litoral
A residência fica em um condomínio de alto padrão e corresponde à casa número 4 do empreendimento, próxima à portaria. No lançamento do projeto imobiliário, o imóvel funcionava como “casa modelo”, totalmente decorada para atrair compradores. Sem mobília, a casa é avaliada em cerca de R$ 2,5 milhões. Já equipada e pronta para uso, o valor ultrapassa R$ 4 milhões. De acordo com os documentos investigados, o contrato de compra e venda foi registrado em nome da empresa Agropecuária JD, pertencente ao prefeito.
Pagamentos ligados a contratos públicos
As investigações indicam que parte dos pagamentos do imóvel teria sido feita por empresas que mantêm contratos com a prefeitura de Ananindeua. Uma das empresas citadas é a Neo BRS, fornecedora de materiais escolares para a Secretaria Municipal de Educação. Em setembro e outubro de 2024, a empresa emitiu duas notas fiscais que somam R$ 1.488.137 referentes à venda de cadernos, canetas, réguas e tesouras. Segundo os investigadores, após receber o pagamento da prefeitura, a empresa transferiu, no dia seguinte, cerca de R$ 866 mil para quitar uma das parcelas da mansão no Ceará.
Outro caso citado envolve a Ferreira Comercial, fornecedora de produtos de limpeza para a mesma secretaria. Em outubro de 2024, a empresa recebeu R$ 521 mil da prefeitura e, poucas horas depois, transferiu R$ 250 mil para o pagamento de outra parcela do imóvel.
Envolvimento de pessoas ligadas à gestão
O Ministério Público também aponta participação de pessoas vinculadas à administração municipal. Um dos casos mencionados envolve Alexandre Gomes, vereador que assumiu a Secretaria de Habitação do município em fevereiro de 2024. De acordo com a investigação, cinco dias após tomar posse, uma construtora ligada a ele teria feito dois depósitos que somam R$ 1 milhão para o pagamento de parcelas da casa no Ceará.
Patrimônio sob investigação
O procurador-geral de Justiça do Pará, Alexandre Tourinho, afirma que o Ministério Público investiga uma evolução patrimonial considerada incompatível com a renda declarada pelo prefeito. Entre os indícios levantados pelos investigadores estão pagamentos de despesas pessoais com recursos provenientes de empresas contratadas pela prefeitura, incluindo combustível para uma fazenda, parcelas de uma aeronave particular e outros bens de alto valor.
Segundo depoimentos colhidos no inquérito, diferentes empresas teriam contribuído para o pagamento de cotas de um avião avaliado em cerca de R$ 10,9 milhões, registrado em nome da Agropecuária JD.
Durante buscas realizadas no Pará e no Ceará, os investigadores também apreenderam cerca de R$ 4,1 milhões em relógios de luxo em um apartamento ligado ao prefeito em Fortaleza. Entre as marcas encontradas estavam Rolex e Patek Philippe, itens que, segundo o Ministério Público, podem indicar práticas de lavagem de dinheiro.
Foi nesse mesmo apartamento que os agentes localizaram o contrato de compra da casa em Fortim, documento que levou os investigadores até o imóvel.
Caso chegou ao STF
Nas eleições de 2024, Daniel Santos declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 4,8 milhões. Mesmo assim, o Ministério Público solicitou o bloqueio de mais de R$ 130 milhões em bens no âmbito da investigação, que já chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF).